PM ocupava imóvel pago por empresário de bingo
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Londrina- A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina concluiu ontem o inquérito que investigava a ''indústria'' dos caça-níqueis na cidade e indiciou sete pessoas. As investigações apuraram que pelo menos um tenente da Polícia Militar estaria morando em um apartamento na região central da cidade, cujo aluguel de R$ 450,00 seria pago por pessoas ligadas à empresa Unig Diversões Eletrônicas, que explora o jogo de bingo eletrônico na região. A documentação reunida contra o policial foi encaminhada à Justiça Militar.
O delegado da PIC, Alan Flore, lembrou que o inquérito havia sido instaurado no dia 3 de agosto, quando foi deflagrada uma das maiores operações locais contra os bingos eletrônicos, tidos como ilegais por serem considerados jogos de azar. Na ocasião, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, apreendidas mais de 200 máquinas, 11 veículos, R$ 60 mil em dinheiro e seis armas de fogo e dezenas de caixas com documentos.
No curso das investigações, a PIC encontrou com o funcionário da Unig, Júlio César Alves, um recibo de aluguel de um apartamento em um prédio na Rua São Paulo (área central), em nome do tenente Diogo Andrade Ferreira dos Santos, que arcaria apenas com a taxa de condomínio. O funcionário disse que teria recebido o documento do gerente da empresa, Richard Silveira Leitão. Conforme o delegado, quem teria ofertado o imóvel ao policial teria sido Mauro Roberto Onofre Coelho, conhecido como ''Mauro Scaff'', apontado como o verdadeiro dono da empresa. O apartamento pertenceria a um familiar do sócio de Mauro, José Ricardo Pinto.
À PIC, o policial teria confirmado que foi procurado por ''Mauro Scaff'' para ocupar o apartamento mas teria informado que o imóvel pertenceria a um amigo que teria se mudado para o Rio Grande do Sul. O contrato teria sido assinado em outubro do ano passado e tinha ''Scaff'' como fiador. Agora, três dias após as apreensões feitas pela PIC, foi feito um outro contrato excluindo o empresário. ''O tenente disse que não houve qualquer tipo de contraprestação, passagem de informação ou colaboração dele para evitar ações e apreensões contra a empresa'', revelou o delegado.
O tenente Diogo já atuou no serviço reservado (P2) do 5º Batalhão e, no início deste ano, foi cedido à PIC onde trabalhou até o final de julho. Atualmente estaria trabalhando em Guarapuava.
Em entrevista coletiva, Flore informou que sete pessoas foram indiciadas: três por corrupção ativa e falsidade ideológica e outros quatro por falsidade ideológica e exploração de jogo de azar. Com relação ao policial citado, o delegado afirmou que ''todos os fatos já foram repassados ao 5º Batalhão da Polícia Militar e à Vara da Auditoria Militar''.
O porta-voz do 5º Batalhão, tenente Ricardo Eguédis, esclareceu que o policial citado não possuia vínculo administrativo com o comando local. O Comando Maior da PM disse que as informações seriam apuradas.


