Rio, 02 (AE) - Cerca de 400 homens da Polícia Militar ocuparam hoje quatro presídios no Espírito Santo, seguindo determinação do governador José Ignácio Ferreira (PSDB). As cadeias estariam sendo dominados pelos 923 detentos. A operação foi planejada em sigilo e começou às 4h30 da madrugada. Às 6h10, o Batalhão de Choque da PM havia tomado o controle da Casa de Detenção e do Instituto de Readaptação Social, em Vila Velha, e da Casa de Custódia e da Penitenciária Agrícola, em Viana, ambas na Grande Vitória.
De acordo com o porta-voz do governo, José Nunes, a intervenção nos quatro presídios, antes controlados internamente por agentes penitenciários, deverá durar pelo menos 180 dias, até que seja restabelecida a ordem administrativa e operacional. A segurança externa já era feita pela PM.
Caos - "Recuperamos a autoridade do sistema penitenciário, que estava nas mãos dos presos", disse Nunes. "Eles viviam praticamente em liberdade, só não tinham a chave do portão principal."Nunes disse haver "evidências" de tráfico de drogas dentro dos presídios. Ele afirmou que o governador não quis citar a gestão anterior, de Vitor Buaiz (PV). "Comentar o que já passou não produz resultados concretos, o que importa é reverter a atual situação de caos absoluto."
Segundo informações divulgadas pelo governo, cerca de 900 presos fugiram no Estado em 98. Outro dado oficial mostra que 70% dos crimes registrados foram cometidos por foragidos.
Críticas - O ex-secretário estadual de Justiça e Cidadania Perly Cipriano critica a atitude do governo, considerada "ineficaz". "O problema não está dentro dos presídios, e sim fora, porque se há fuga de presos e tráfico de drogas como afirma o governo, deve existir a conivência da Polícia Militar, que já faz a segurança externa", afirmou Cipriano.
Outro problema levantado pelo ex-secretário é a situação dos presos em delegacias do Estado. "É pouco conhecimento de causa dizer que evitar a fuga nesses presídios vai reduzir a criminalidade, porque o principal problema hoje está nas delegacias, que concentram um número bem maior de detentos", disse. Ontem (01)foram registradas cinco fugas na delegacia de Afonso Cláudio.
"É fundamental a ressocialização do preso; ocupar presídio não adianta nada", disse o ex-secretário, que afirma ter ordenado, durante sua gestão, revistas quinzenais nos presídios ocupados hoje. Para Cipriano, a situação dos presídios do Espírito Santo é melhor do que a média nacional. Ele defende, porém, o aumento do número de agentes penitenciários no Estado.

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