PM ocupa Morro do Chapadão em busca de estupradores
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 21 (AE) - O secretário estadual de Segurança Pública do Rio, coronel Josias Quintal, determinou hoje o cerco aos envolvidos no estupro de três mulheres que esperavam em uma fila para matricular os filhos, na Escola Municipal Mestre Valentim, na Pavuna, na zona norte, na madrugada de segunda-feira. A polícia não descarta a possibilidade de o crime ter sido cometido por moradores do bairro e tem dois suspeitos.O Morro do Chapadão, o maior do bairro foi ocupado no início da tarde por policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar (Rocha Miranda).
Hoje o secretário se reuniu com a cúpula da polícia para decidir que medidas tomar para prender os criminosos "o mais rapidamente possível". De acordo com o comandante Carlos Souza, a ocupação do morro não tem data para acabar. "Iremos até o fim na busca dos bandidos", disse. Cerca de 200 homens das Polícias Civil e Militar foram destacados para as buscas na área. "Esse caso é nossa prioridade e terá de ser resolvido rapidamente", afirmou Quintal.
De acordo com o delegado da 39ª Delegacia Policial (Pavuna), José Alberto Lajes, no início da semana os investigadores acreditavam que os estupradores fossem traficantes do Morro do Adeus ou do Juramento, também na zona norte, que estariam em guerra com o Chapadão. Quintal disse, no entanto, que "fontes diversas" (principalmente moradores) levaram a polícia a crer que eles moram perto da escola. A identidade dos suspeitos não foram divulgadas.
Ainda de acordo com o secretário, os detetives estão tendo dificuldades para confeccionar retratos-falados dos estupradores porque as vítimas não conseguiram ver seus rostos. "As vítimas contaram que eram ameaçadas de morte quando olhavam para eles, então não são capazes de descrevê-los", disse o delegado. Quintal ressaltou que as mulheres ainda estão muito abaladas. "Eles estão traumatizadas e temos que respeitar isso", disse.
Fotos - A polícia deverá percorrer as laboratórios de revelação de fotos da região, pois os bandidos fotografaram suas vítimas durante os atos de violência. "Não sabemos ainda por que eles fizeram isso; foi um fato inusitado", afirmou o secretário. A PM considera a possibilidade de os criminosos terem tentado se vingar de policiais que moram nas proximidades da escola, achando que as mulheres fossem de suas famílias.
O policiamento nas escolas públicas da região onde costuma haver fila para matrícula de alunos deverá ser intensificado, de acordo com Quintal. "O ideal seria colocar policiais em todos os locais perigosos, mas não temos efetivo para isso", ressalvou.


