PM negocia retirada de famílias de sem-terra de área em Antonina
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sexta-feira, 14 de maio de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Três policiais militares e um oficial de Justiça foram ontem até a Fazenda Agropecuária São Rafael invadida por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) há cerca de um mês e meio em Antonina, litoral do Estado, iniciar as negociações para a saída das 50 famílias. Eles levaram a informação de que os ocupantes terão que se retirar da área e foram ver se elas precisam de transporte para seus pertences e até mesmo se vão necessitar de abrigos. O proprietário da fazenda, Pedro Paulo Pamplona, conseguiu o mandado de reintegração de posse no último dia 31 de março, um dia depois da invasão. Há uma semana, as famílias já ocuparam também um pedaço da fazenda vizinha, Marco Santo.
A Secretaria de Estado de Segurança informou ontem que a desocupação deve acontecer na próxima semana. Antes da retirada das famílias, haverá uma reunião com integrantes do MST, mas não há chances de mantê-los no local por se tratar de parte da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba.
Na época da invasão, os integrantes do MST afirmaram que haviam invadido a fazenda para chamar a atenção para crimes ambientais cometidos pelo dono da área. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vistoriou o local e multou Pamplona em R$ 42.368,00. Pamplona nega que tenha cometido qualquer crime ambiental no local.
O major Geraldo Moliane, comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar (PM), que foi até o local ontem, informou que as famílias estão mantendo o acampamento na entrada da fazenda e apenas alguns membros estão dentro da área.
O proprietário da fazenda diz que, além de invadir o local, os integrantes do MST estão saqueando a sede da fazenda e matando búfalos. Segundo Pamplona, mais de 20 cabeças, das 200 que são criadas no local, foram abatidas.
Paulo Cleve Bomfim, proprietário da fazenda Marco Santo, vizinha à São Rafael, e que invadida no último dia 7, afirma que também já teve quatro búfalos mortos pelos invasores.
Pamplona acusa o governo de não cumprir uma ordem judicial e também a polícia local de negligência. Ele afirma que os crimes que ocorrem não estão sendo apurados. Também acusa os invasores de cortar árvores e extrair palmito da região. O proprietário diz que vai entrar com uma denúncia no Ministério Público contra o delegado de Antonina, Darci Pacheco. ''Não acredito mais na polícia''.
O delegado Pacheco informou que foi aberto inquérito para apurar todas as denúncias de Pamplona. Ele afirma que os integrantes do movimento foram ouvidos em todos os casos e tomadas todas as providências legais. Pacheco reclamou que o Pamplona quer, na verdade, é que ''ele feche a delegacia e vá cuidar da fazenda dele''. Justificou que apenas três policiais trabalham em Antonina. O delegado disse também que Pamplona, assim como outros criadores de búfalos da região, deixam os animais saírem das fazendas, o que facilita a ação dos ladrões.


