O soldado Joel de Lima Santana, 38 anos, foi o autor do disparo que matou o agricultor Antônio Tavares Pereira, 38 anos, no dia 2 de maio. A revelação foi feita ontem à tarde pelo secretário de Segurança Pública, José Tavares. O secretário isentou Santana de culpa pela morte de Pereira. Ele afirmou que o soldado atirou em legítima defesa durante o confronto com os sem-terra na BR-277, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.
A identificação do autor do disparo foi feita pela arma que o soldado usou no dia do conflito. Santana estava com uma carabina Rossi, calibre 38. Fragmentos da bala removidos do corpo de Pereira e vestígios da blindagem de um projétil recolhidos com os sem-terra que socorreram o agricultor foram comparados. Os peritos do Instituto de Criminalística concluíram que faziam parte da mesma bala.
Santana tem 18 anos de Polícia Militar e sempre teve um ‘‘bom desempenho’’ na corporação, segundo Tavares. O soldado é casado, tem três filhos e está lotado no 12º Batalhão da Polícia Militar, em Curitiba. O secretário foi o único a falar na entrevista coletiva convocada no quartel do comando-geral da PM para divulgar o laudo do exame de balística. Ele disse que o policial não se precipitou ao atirar. O secretário relatou que Santana e outros PMs foram cercados por centenas de sem-terra no primeiro confronto, por volta das 8h30.
Os policiais escoltavam de volta ao interior do Estado ônibus dos sem-terra impedidos de entrar em Curitiba. O tumulto aconteceu quando os passageiros saíram dos veículos e foram ao encontro de outros colegas que estavam na pista oposta da BR-277. O secretário observou que, ao descer dos ônibus, os sem-terra, em maior número, atacaram os policiais e as viaturas com paus e foices. A versão é contestada pelo advogado Darcy Frigo (ver texto abaixo).
‘‘Ao agir daquela forma, eles reprimiram uma injusta agressão que estavam para sofrer’’, disse Tavares. Santana teria dado um tiro intimidatório contra o chão para afugentar os manifestantes. ‘‘Em nenhum momento houve a intenção deliberada de atingir quem quer que seja. Não tem como refutar isso aqui’’, garantiu o secretário, exibindo o laudo. Tavares disse que a bala ricocheteou no asfalto e atingiu o lado direito do abdômen de Pereira. As análises do Instituto de Criminalística comprovaram, acrescentou o secretário, que havia vestígios de piche (material que compõe o asfalto) e de pedras nos restos da bala. ‘‘Isso esclarece que a bala ricocheteou’’.
Tavares também divulgou o resultado de um exame feito em Ismair Trindade, o sem-terra acusado de ferir um PM à bala. O secretário de Segurança informou que foram encontrados restos de chumbo na mão direita de Trindade, que está preso por porte ilegal de arma.

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