Presidente Bernardes, SP, 01 (AE) -A Polícia Militar invadiu hoje de manhã a Penitenciária de Presidente Bernardes, matando dois presos e libertando, sem ferimentos, os três agentes de segurança que desde o início da rebelião, quarta-feira passada, eram mantidos reféns. Um dos mortos é o líder dos rebelados Roberto Luiz Câmara, o "China", atingido com um disparo certeiro quando mantinha um dos reféns sob a ameaça de um estilete. O outro preso morto, que também estaria liderando a rebelião, não havia sido identificado até as 12h.
Segundo o delegado de polícia de Presidente Bernardes, Glauco Roberto Marques Moreira, que acompanhou a ação policial, pode haver feridos entre os presos. Entre os policiais ninguém foi atingido. Depois de controlar a situação a PM iniciou um levantamento entre todos os detentos para verificar se há feridos. Uma ambulância deixou a penitenciária em alta velocidade mas ninguém informou quem estava sendo transportado.
A invasão da Penitenciária de Presidente Bernardes já havia sido definida na noite de sexta feira, quando a PM chegou a concentrar mais de 250 homens no pátio interno do presídio, depois que as negociações para uma solução pacífica do movimento chegou a um impasse.
Os presos, que no primeiro dia da rebelião já haviam matado a golpes de estilete o detento Luiz Paulo Raffani Júnior, exigiam a transferência de 50 condenados, sendo 43 para presídios do estado, sete para Mato Grosso e um para Goiás, com o que não concordaram o corregedor geral da Justiça em São Paulo, Ivo de Almeida e o diretor da Coordenadoria de Estabelecimentos Penitenciários ( Coespe), Lourival Gomes, encarregados das negociações.
A ação durou menos de meia hora e contou com a participação de uma equipe do Grupo de Apoio Tático (GAT) que usou um helicóptero na operação. Agentes do grupo, usando roupas civis, conseguiram atingir os dois presos quando eles, mantendo os reféns Amauri Ucero, Sérgio Aparecido da Silva e Antônio dos Santos Filho, sob ameaça e usando-os como escudos, preparavam-se para retomar as negociações que haviam sido suspensas na noite anterior.
Enquanto o helicóptero sobrevoava o presídio, a tropa de choque invadiu os pavilhões rebelados, praticamente sem dar oportunidade de reação aos presos. Do lado de fora da penitenciária foi possível ouvir muitos disparos de bombas e arma de fogo e ver rolos de fumaça saindo dos dois pavilhões rebelados. Um oficial da PM, que deixou a penitenciária, informou que a situação estava sob total controle.