PM invade e desocupa antigo Museu do Índio
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sexta-feira, 22 de março de 2013
Marcelo Gomes<br>Agência Estado 
Rio - Após nove horas de negociação, cerca de 30 policiais militares do Batalhão de Choque invadiram, ao meio-dia desta sexta-feira, o prédio do antigo Museu do Índio, nas proximidades do Estádio do Maracanã, na zona norte do Rio, para retirar os ativistas que resistiam à desocupação do local. Os PMs utilizaram spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo, que tentava impedir a saída dos indígenas que ocupavam o casarão desde 2006. Houve confusão, gritaria e empurra-empurra. Em seguida, os manifestantes interditaram por meia hora os dois sentidos da Avenida Radial Oeste, uma das principais vias de ligação da zona norte com o centro da cidade.
Cerca de cem PMs cercaram o prédio às 3 horas, para cumprir uma decisão da Justiça Federal que determinou a desocupação do imóvel. A desocupação estava prevista para começar às 6 horas, mas impasses nas negociações atrasaram os planos. Às 11h30, uma espécie de oca construída no terreno do museu pegou fogo. Após os bombeiros debelarem as chamas, a PM invadiu o local.
O defensor público federal Daniel Macedo classificou de truculenta a ação da polícia. Ele não descarta a possibilidade de processar por abuso de autoridade e descumprimento de ordem judicial o oficial que deu a ordem para a tropa invadir a Aldeia Maracanã.
O porta-voz da PM, coronel Frederico Caldas, disse que a invasão do prédio se deu após os manifestantes atearem fogo à oca e resistirem à desocupação.
Quatorze dos 22 índios retirados foram levados para um abrigo para moradores de rua no centro da cidade, administrado pela prefeitura. Eles ficarão lá até que fiquem prontos os alojamentos nos três locais oferecidos pelo governo do Estado, nos bairros de Jacarepaguá, Bonsucesso e Mangueira. Cerca de 200 ativistas ligados a movimentos sociais de esquerda acompanharam a desocupação na rua. O movimento de protesto foi articulado pela internet.


