Giovani Ferreira
De Ponta Grossa
No início da manhã de ontem os caminhoneiros de Ponta Grossa tentaram retomar a paralisação mas foram impedidos pela Polícia Militar. Houve discussão e alguns motoristas foram multados por insistir em estacionar no acostamento da BR-376, em frente ao Posto Locatelli, local de referência das manifestações na Região dos Campos Gerais. No período da tarde, de 50 a 60 caminhões ainda permaneciam estacionados no pátio do posto, aguardando uma orientação por parte dos organizadores.
O líder do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, disse que as manifestações irão continuar. Em sua avaliação, o comportamento do governo do Estado não intimidou os motoristas, que estão ainda mais revoltados. ‘‘Continuam as manifestações, agora é questão de honra’’, declarou. Apesar da disposição do líder, no início da noite não havia nenhum foco de mobilização na região Sul.
Durante a manhã de ontem houve mais diálogo e os policiais esclareceram em Ponta Grossa que a ordem era não deixar os caminhoneiros parar na pista ou nos acostamentos. Como os motoristas eram poucos e ainda estavam assustados com a repressão policial, que acabou com o protesto na noite anterior, as determinações policiais foram cumpridas e a movimentação resumiu-se a reuniões e avaliações sobre o rumo da categoria diante da repressão do governo.
Os motoristas estavam sendo vigiados durante todo o tempo por uma equipe de aproximadamente 30 policiais. Enquanto os homens do Batalhão da Polícia Militar coibiam qualquer princípio de tumulto ou aglomeração, os patrulheiros da Polícia Rodoviária ameaçavam multar os motoristas que paravam nos acostamentos. Temendo as multas e os pontos na carteira de habilitação, a maioria dos caminhoneiros que estavam dispostos a parar, acabaram seguindo viagem ou estacionando no pátio do posto.
Em Paranaguá não foi registrado nenhum indício de paralisação. De acordo com Botelho, a ação os policiais na tarde de terça-feira foi muito traumática, e realmente intimidou os motoristas que trafegavam ontem pela região, que preferiram não arriscar um manifesto e ter que enfrentar a força policial novamente.
Parar no acostamento sem que exista um motivo, como uma falha mecânica, é considerada infração leve e de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro o infrator perde três pontos na carteira e paga multa de 50 Ufirs. A pena parece leve, mas a medida administrativa é a retirada do veículo do local onde está estacionado, explicou o aspirante Tatibana, da 5ª Companhia da Polícia Rodoviária de Ponta Grossa. Se o motorista não retirar o caminhão por bem, a remoção é feita pelos próprios policiais.

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