Curitiba - O agricultor Valdomiro Bognar, arrendatário da Fazenda Baronesa dos Candiais 2, em Luiziana (30 km ao sul de Campo Mourão), começou ontem a colher a aveia na propriedade, invadida desde o fim de abril e considerada produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) exigiam pagamento de 50% da colheita, alegando que tinham ajudado na produção ao limpar as ervas daninhas. Policiais militares garantiram a entrada da colheitadeira na propriedade.
''Acho que eles entenderam que não podem continuar extorquindo as pessoas'', disse Bognar. Quinta-feira o agricultor aproveitou a presença do governador Roberto Requião (PMDB) em Campo Mourão, município vizinho, e expôs a situação. ''Ele me atendeu muito bem e disse que poderia fazer a colheita.'' Requião teria lhe dito que, caso os sem-terra tentassem impedir a colheita, deveria ser informado imediatamente. ''É uma ordem minha'', teria afirmado o governador.
Bognar disse ter ouvido de Requião que será feita a desocupação da fazenda, embora não tenha fixado uma data. O Incra informou que há uma área prestes a ser desapropriada no município. Pela manhã, Bognar foi à fazenda, mas os sem-terra estavam em frente capinando o mato e ele preferiu não entrar. Foi, então, conversar com os policiais do município, que teriam entrado em contato com os representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Com os policiais, ele voltou à propriedade e iniciou a colheita.
''Cerca de 200 a 300 sem-terra ficam por perto com facões e foices na mão, mas não falam nada e, por enquanto, não houve agressão'', disse o agricultor. ''O que existe é uma pressão psicológica.'' Apesar de os sem-terra terem aberto mão dos 50% da produção, avisaram que não vão permitir que ele semeie soja. ''Tenho mais uns 20 dias para isso'', disse. Se a resistência persistir, Bognar pretende procurar novamente o governador.
Os sem-terra querem plantar arroz, feijão, mandioca e outras culturas de subsistência. Segundo o agricultor, o atraso na colheita da aveia fez com que grande parte debulhasse no pé, restringindo a produtividade a cerca de 30% a 40% do previsto. ''Vai dar para pagar o óleo da colheitadeira, mas mesmo assim é uma alegria, pois estou colhendo o que plantei'', afirmou.

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