PM fica nos quartéis e tropas federais vão para o ES
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2017
Leonardo Augusto, Ricardo Araújo e Tânia Monteiro<br>Agência Estado 

Vitória - O Espírito Santo registrou pelo menos 58 homicídios entre o sábado (4) e esta segunda-feira (6), após a paralisação do patrulhamento nas ruas, motivada pelos protestos de familiares de policiais militares, que cobram aumento salarial para a categoria. Os homicídios, mais que o dobro da média normal, envolveriam a disputa de espaço pelo crime organizado. O temor levou o comércio a fechar as portas, o início das aulas foi adiado, as ruas ficaram vazias e o governo do Espírito Santo pediu o apoio do governo federal. Tropas da Força Nacional e do Exército chegaram nesta segunda-feira ao Estado.
Segundo o Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol), que levantou o número de mortes, a maior parte ocorreu em municípios da Grande Vitória, sobretudo Serra, Cariacica e Vila Velha. Em todo o primeiro semestre de 2016 no Estado ocorreram 604 homicídios e a média foi de 25 casos por fim de semana, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
Desde sexta-feira (6), porém, familiares de policiais ocupam a entrada de batalhões da PM, o que estaria impedindo a saída dos soldados para patrulhamento. Conforme o vice-presidente do sindicato, Humberto Mileip, os 58 mortos, em sua maioria, são traficantes. "A verdade é que grupos que dominam a venda de drogas na Grande Vitória estão aproveitando a falta de policiamento para ampliar os domínios", disse.
A Secretaria de Segurança ainda não tinha, às 18 horas desta segunda, um balanço do total de ocorrências. Foi elevado ainda o registro de tentativas de homicídio: 22 no sábado e 45 no domingo. O secretário, André Garcia, admitiu apenas "aumento expressivo na criminalidade".
O desembarque de 200 agentes da Força Nacional em Vitória ocorreu às 17h30. Segundo o Ministério da Defesa, até 2 mil militares das Forças Armadas reforçarão o policiamento em Vitória e na região metropolitana.


