PM faz observação de helicóptero
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Paulo Pegoraro 
Vôos de helicóptero feitos ontem por oficiais da Polícia Militar (PM), sobre áreas ocupadas por lavradores sem-terra e sem-teto urbanos, nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado, aumentaram a tensão já existente, pela possibilidade de que a PM tente logo executar despejos para a reintegrações de posse determinadas pela Justiça. Além disso, havia boatos de que, no domingo, novas levas de sem-terra estavam preparando outras invasões, o que não se confirmou. Os vôos de helicóptero foram feitos sobre a fazenda Refopas, em Cascavel, sobre o Imóvel Rio Iguaçu, em Quedas do Iguaçu (Sudoeste), e ainda sobre a ocupação urbana do Jardim Gramado, na zona leste da cidade de Cascavel.
O tenente Arsênio Rodrigues, do 6º Batalhão da Polícia Militar de Cascavel, disse que se trataram de vôos de reconhecimento, necessários para o planejamento de ações de reintegração de posse, mas não havia nenhuma informação sobre quando elas podem ocorrer. Sabe-se que a PM, além de procurar manter o sigilo sobre o momento das ações, deverá manter a imprensa afastada dos locais, assim como ocorreu nos despejos no Noroeste do Estado. Daquela região, várias famílias se deslocaram para a fazenda Refopas, engrossando o contingente inicial, de cerca de mil famílias - segundo coordenadores do acampamento, membros da coordenadoria regional do MST do Paraná.
A Refopas, que tem 554 hectares e foi invadida no dia 20 de maio, pertence a Maria Elisa Festugatto e compunha um antigo latifúndio da família, que operava com madeireiras e agropecuária. A propriedade foi considerada produtiva há um ano, pelo Incra, e parte dela tem matas de preservação obrigatória.
Em Quedas do Iguaçu, três mil famílias (segundo o MST) ocupam desde 10 de maio o Imóvel Rio Iguaçu, de 5 mil hectares, da empresa Araupel (madeireira, agropecuária e fabricante de papel).
Em Cascavel, cerca de 220 terrenos do Jardim Gramado estão ocupados por famílias desde fevereiro. Os imóveis pertencem a Sulbrasileiro Crédito Imobiliário, de Porto Alegre (RS), e segundo lideranças dos sem-teto, teriam permanecido vários anos cobertos pelo matagal. Além disso, alegam que a empresa não pagou o Imposto Predial e territorial Urbano (IPTU) nos últimos três anos.


