Lúcio Flávio Moura
Enviado a Porecatu
Sem confrontos, cenas de violência e prisões, foi desocupada, na madrugada de ontem, a Fazenda Santa Rita da Jacutinga, em Porecatu (86 km ao norte de Londrina). A operação envolveu 20 viaturas e 100 homens da Polícia Militar – entre integrantes da tropa de choque, do Comando de Operações Especiais (COE) e dos batalhões de Londrina, Rolândia e Maringá. O mesmo não ocorreu na Fazenda Santa Terezinha, em Conselheiro Mairinck (no Norte Pioneiro), onde houve confronto entre policiais e sem-terra. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), oito integrantes do movimento foram presos.
As 30 famílias sem-terra que estavam na Fazenda Santa Rita do Jacutinga foram obrigadas a deixar a propriedade, invadida em operação coletiva do MST em julho de 1997. A desocupação cumpriu uma ordem judicial de reintegração de posse (expedida havia mais de dois anos), solicitado por um dos herdeiros que faz parte do espólio de Pedro Alves Filho, que era o proprietário da fazenda, de cerca de mil hectares. O Incra considerou a área produtiva.
A operação foi iniciada às escuras, no final da madrugada. Os sem-terra já estavam reunidos próximo à porteira e não resistiram quando perceberam a grande movimentação de policiais. Preparada para o confronto – armados, comunicando-se por rádio, usando binóculos em pontos estratégicos da propriedade, acompanhado de cães e portando escudos – a polícia deu uma demonstração de força que intimidou os acampados, que rapidamente começaram a recolher tudo o que tinham em casa e no quintal. Cinco horas depois grande parte dos pertences das famílias já havia sido levada para a Fazenda Ingá, no município de Alvorada do Sul, que faz limite com Porecatu. Foram usados 10 caminhões e dois ônibus.
A ida para a Fazenda Ingá foi um acordo firmado pouco depois da chegada da polícia à Jacutinga ontem. A coordenadoria regional do MST evitou que as famílias fossem removidas para suas cidades de origem, quase todas do Sudoeste do Estado, como era vontade do comando da operação. ‘‘Estas atitudes do governo do Estado são uma provocação. É uma defesa clara do latifúndio. É lamentável que o governo esteja tratando a reforma agrária como caso para a Secretaria de Segurança Pública’’, disse Dirceu Bofler, membro da coordenadoria estadual do MST.Em Porecatu, PM retirou as famílias sem que houvesse reação; já na Santa Terezinha, em Conselheiro Mairinck, foram registradas 8 prisões
Mário CesarMário CesarRetiradaPM cercou a área e, receosas, famílias arrumaram todos os pertences rapidamente para deixar a fazenda. Elas foram levadas para a Fazenda Ingá, numa operação que envolveu 10 caminhões e dois ônibus

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