São Paulo, 27 (AE) - A Polícia Militar está cercando os Complexos Imigrantes e Tatuapé da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) para evitar que novas fugas ocorram. Policiais com cães e cavalos estão, desde sábado, 24 horas de plantão nessas unidades.
Hoje, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores de Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa), houve duas tentativas de fuga frustradas, envolvendo 161 menores da ala D do Complexo Imigrantes. A Febem nega qualquer tipo de rebelião e garante que o dia foi marcado pela tranquilidade.
"A primeira tentativa de fuga ocorreu no início da madrugada, mas foi contida pelos funcionários", disse o presidente do sindicato, Antônio Gilberto da Silva. "No início da tarde, outra tentativa de fuga ocorreu", disse. "O resultado foram três funcionários e cinco menores feridos", completou. "Por mim, a Tropa de Choque deveria dormir lá dentro com os funcionários, para nos defender."
O fim de semana foi o primeiro desde o dia 12 sem rebelião ou fuga nos dois complexos. Desde aquele dia, segundo a Promotoria da Vara da Infância e Juventude, já escaparam das unidades da Febem na Grande São Paulo 1.020 adolescentes - cerca de 500 foram recapturados.
Reunião - A ação da PM foi decidida em uma reunião de emergência, feita no sábado. Dela participaram a secretária da Assistência e Desenvolvimento Social, Marta Godinho, o presidente da Febem, Guido de Andrade, e o secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi. O esquema prevê a presença de policiais do Comando de Policiamento de Choque (CPChoq) no interior das duas unidades mais problemáticas da Febem, ou seja, a Imigrantes e a Tatuapé. Para cada uma delas foram destacados cerca de 30 homens do CPChoq.
O comando mobilizou homens do Canil, da Cavalaria, dos pelotões de controle de distúrbio civil - armados com bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral, escudos, cassetetes e capacetes - e do Comando de Operações Especiais (COE). Este último, especialista em ações nas matas, foi destacado para os fundos da Unidade Imigrantes, que faz divisa com o Parque do Estado. Era, justamente, esse o principal ponto utilizado pelos adolescentes para escapar da Febem.
Além do CPChoq, também foram mobilizados policiais que trabalham nos bairros onde ficam os dois complexos problemáticos. Os policiais vão permanecer no interior das complexos, mas, por enquanto, fora das unidades educacionais. Ficarão entre o muro ou grades externos e os muros que cercam os prédios onde ficam os adolescentes. A presença policial na Febem é por tempo indeterminado. A ordem dos secretários é que a ocupação dure enquanto não forem resolvidos todos os problemas de segurança na Febem - como as negociações com os funcionários, a superlotação das unidades e as reformas dos prédios. Fragilidade - Hoje, a reportagem da Agência Estado constatou a fragilidade do Complexo Imigrantes. Os muros que fazem divisa com a mata e a rua eram baixos e estavam com vários buracos, feitos pelos próprios adolescentes.
Segundo o sindicato dos funcionários da Febem, os funcionários da unidade descobriram a tentativa de fuga dos menores na tarde de hoje, quando viram um buraco no muro.
A situação que o sindicato relata não era percebida do lado de fora do complexo, que estava calmo. Poucas mães e jornalistas estavam no local observando a movimentação dos policiais.
A doméstica Maria Edna Monteiro, de 42 anos, veio da cidade de Angra dos Reis (RJ) para saber informações do filho internado. "Ninguém fala nada e dá muita aflição", relatou. "A gente fica sem saber o que ocorre, pois escutamos tantas coisas; só tenho medo que meu filho apanhe."
Protesto - Hoje, novamente, os funcionários do Complexo Imigrantes decidiram não fazer mais horas extras, em protesto contra as acusações de maus-tratos de que têm sido alvo. "Amanhã voltaremos a entrar no horário, mas nossa manifestação vai continuar nos próximos dias", disse o presidente do sindicato.
No dia 8, os funcionários da Febem pretendem trabalhar com roupas pretas. "Será o dia do luto." Já no dia 15, a categoria promete uma manifestação em frente do prédio da presidência da Febem. "Se as nossas exigências não forem atendidas, vamos entrar em greve." Os funcionários reivindicam o fim da superlotação das unidades, mais segurança no trabalho a contratação de novos funcionários.

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