Dia de sem-terraO senador Eduardo Suplicy, que pernoitou em um barraco, teve que trocar a lida por uma reunião com o MSTA Polícia Militar realizará, a partir das primeiras horas de hoje, uma operação bloqueio nas estradas de acesso a Tarabaí, para vistoriar veículos e pessoas. O objetivo é evitar a passagem de armas na área onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promoverá uma caminhada e ato público, seguido de missa, em protesto contra a ação de fazendeiros ligados a UDR. No dia 28 de janeiro, os fazendeiros desmantelaram a tiros o acampamento instalado nas proximidades da fazenda Concórdia, naquele município.
Segundo o comandante do 18º BPMI de Presidente Prudente, major Augusto Cunha, a PM pretende atuar preventivamente para evitar eventuais conflitos na área. Segundo o major, todos os veículos em situação irregular e eventuais armas serão apreendidas.
O comando da PM não esconde a preocupação com a manifestação organizada pelos sem-terra. O líder do MST no Pontal, José Rainha Junior, prevê que mais de mil pessoas deverão participar da caminhada, que terá início às 12 horas em Tarabaí. Em seguida, os manifestantes pretendem organizar uma missa campal na via de acesso a Narandiba, nos limites da fazenda Concórdia, de onde os acampados foram expulsos.
A Promotoria Pública também está preocupada. Ontem, os promotores Mário Coimbra, de Presidente Prudente, André Felício, de Presidente Venceslau, Diana Maria da Silva, de Mirante do Paranapanema e Marcos Akira, de Pirapozinho, reuniram-se com a direção do MST, no assentamento da fazenda Santa Clara, em Mirante, para pedir moderação nas manifestações. O encontro teve a participação do senador Eduardo Suplicy (PT), que também estará presente no protesto dos sem-terra.
Segundo o lider José Rainha Junior, a preocupação é descabida pois não há de parte dos trabalhadores qualquer sentido provocativo na manifestação. ‘‘Vamos apenas protestar contra a violência’’, disse. Segundo ele, o bispo-auxiliar de Assis, D. Eugênio Rixen, foi ‘‘proibido’’ pelo bispo de Presidente Prudente, D. Agostinho Marochi, de fazer a celebração. Rainha acusa D. Marochi de apoiar os fazendeiros da região. Até ontem à tarde, o líder não sabia quem iria substituir D. Eugênio Rixen.
Os quatro promotores integram a comissão do Ministério Público encarregada de avaliar a situação de tensão no Pontal e propor medidas uniformes em todas as comarcas situadas na região do conflito fundiário. Os promotores informaram que durante o encontro de ontem tiveram a preocupação central de ouvir os sem-terra. No final da tarde, eles teriam encontro com fazendeiros ligados a UDR com o mesmo objetivo.
Depois do Carnaval, pretendem falar com representantes do Incra e do Itesp e outras autoridades ligadas à questão agrária. Só depois é que vão elaborar um relatório com as sugestões para reduzir o clima de tensão no Pontal. A única constatação até agora é que os sem-terra reclamam da lentidão com que a reforma agrária vem sendo implantada no Pontal.
O senador Eduardo Suplicy pernoitou na noite de quinta-feira em um barraco do acampamento dos sem-terra, instalado junto aos trilhos da Fepasa, em Euclides da Cunha. Segundo seu próprio relato, ‘‘foi uma excelente experiência’’. O senador chegou ao acampamento às 22h30 e ficou até às 24 horas conversando com os acampados. A noite no barraco foi tranquila, já que o clima estava ameno. Apesar disso, foi incomodado por ‘‘alguns pernilongos’’.
Pela manhã, em lugar de um banho, Suplicy conseguiu apenas lavar o rosto com a ajuda de um jarro de água. Também não pôde fazer a barba. Mesmo assim, participou de uma assembléia com os acampados, seguindo para o assentamento Santa Clara, onde pretendia lavrar a terra e dirigir um trator. As atividades, porém, foram suspensas pela chegada dos promotores que convidaram o senador a participar da reunião que teriam com os dirigentes do MST.

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