Piracicaba, 18 (AE) - A Polícia Militar de Piracicaba aguardava hoje a apresentação de uma liminar do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para realizar o despejo de 1,2 mil famílias de sem-terra que ocupam a Fazenda Maria ¶ngela, na zona rural do município. Segundo o oficial de operações do 10º. Batalhão da PM, tenente Antônio Carlos Biazotto, a ação está planejada há vários dias, mas ainda não pode ser executada por causa de alguns detalhes, como a falta do mandado. "Sabemos que o DER obteve a liminar, mas o documento ainda não nos foi apresentado pelo oficial de justiça." Segundo ele, não é possível iniciar a operação sem o mandado judicial porque grande parte dos barracos do acampamento está instalada nas margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147), em área de domínio do DER. "Sem a ordem da justiça, não podemos tirar esse pessoal de lá." O despejo ordendo pelo juiz da 6ª. Vara Cível de Piracicaba, Joel Valente, diz respeito apenas à área da fazenda. Outro entrave à operação é a estrutura de apoio exigida pela PM, com 20 caminhões, pelo menos dois ônibus e 80 homens. O dono da fazenda, Joseph Moutran, alegou falta de condições financeiras para custear esses equipamentos.
Ele terá, ainda, que fornecer alimento para os policiais. Moutran conversou hoje com o prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos (PSDB) para pedir ajuda. A prefeitura mandou assistentes sociais no acampamento para fazer uma triagem das pessoas doentes. Segundo a PM, o frio agravou as condições de saúde dos acampados, entre eles 322 crianças e oito gestantes. O coordenador estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST) João Paulo Rodrigues ameaçou levar as famílias de volta para Anhembi se não for encontrada uma área mais adequada para o acampamento. Os sem-terra foram despejados da cidade vizinha no último dia 5.

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