PM entrega inquérito sobre morte de jovens
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Vítor Ogawa <br>Reportagem Local 
Londrina - O comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) entregou ontem ao Ministério Público (MP) o relatório de conclusão do inquérito aberto para apurar a morte de três homens durante suposto tiroteiro contra policiais na Mata dos Godoy, na Zona Sul de Londrina, em julho.
O documento foi levado para os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pelo tenente-coronel Altivier Cieslak, comandante do 5º BPM.
A investigação foi aberta para apurar as circunstâncias das mortes de Paulo Henrique Ferreira de Paula, 24 anos, Rafael Estaves de Orlans, 21, e Waldiney de Jesus, 19. Familiares dos rapazes contestaram na época a tese de confronto e afirmaram que eles teriam sido executados.
''Quem deve decidir o que houve ou não é a Corregedoria Geral da Polícia Militar. Se foi legítima defesa, cumprimento do dever legal ou exercício regular do direito a própria lei diz que não é crime. Mas se o caso não se enquadrar em nenhuma dessas situações, um processo judicial pode ser encaminhado para apurar isso'', explicou Cieslak.
Sobre a hipótese de execução à queima-roupa, conforme alegação de familiares das vítimas na época, Cieslak alega que perícia demonstrou que os tiros não foram disparados a curta distância. ''Os exames realizados tanto na pele quanto nas roupas dos policiais não apresentaram nenhum resíduo.'' Os exames residuográficos realizados nas mãos das vítimas para detectar pólvora, acrescenta o tenente-coronel, não foram conclusivos. Foi constatado, no entanto, que as armas dos suspeitos foram usadas, mas não havia condições de determinar se os disparos foram feitos no dia dos fatos.
''Foi demonstrado no conjunto probatório e no relato das testemunhas que foram vítimas em situações anteriores dessas pessoas que eles tinham um histórico de violência e por silogismo a história reportada pelos policiais apresenta coerência'', acrescentou Cieslak.
Acerca da incineração das roupas das vítimas no Instituto Médico Legal, o promotor Cláudio Esteves explicou que o procedimento é padrão para evitar contaminação. Roupas ensanguentadas só são preservadas se houver requisição policial, o que não aconteceu a tempo de manter o material preservado.
O promotor Jorge Barreto explica que é praxe que o Ministério Público acompanhe investigações desse tipo. ''Houve solicitação expressa do comando do 5º Batalhão da Polícia Militar e dos policiais no sentido de que todas as diligências fossem acompanhadas pelo Ministério Público e durante as investigações não foi constatada nenhuma irregularidade'', garantiu.
A conclusão do inquérito será encaminhada para a Vara da Auditoria Militar, onde será analisado pelo Ministério Público e pelo Juizado. Três encaminhamentos são possíveis: arquivamento, solicitação de novas diligências ou definição de que o crime é de competência da Justiça Comum.
O irmão de Rafael, Antônio Orlans, 42 anos, afirma que já esperava que o inquérito tivesse essa conclusão. '' É a palavra deles contra a nossa, já que morto não fala'', declarou.


