Londrina - Uma policial militar lotada no 5º Batalhão (BPM) foi presa ontem em flagrante suspeita de atirar e matar o próprio namorado. O crime ocorreu no início da tarde no Jardim Igapó, na zona sul de Londrina.
Maria Eugênia Scudeler Pasquini, de 28 anos, trabalha há três anos no 5º BPM e compõe a Companhia de Apoio Tático Especial (Cate). Ela teria atirado nove vezes contra o soldado de 2 classe, Rodrigo Lino Chimenes, que participava do curso de formação no Batalhão. O jovem de 21 anos era um dos 107 soldados que se formam em abril.
Ele morreu no apartamento que o casal passou a dividir na quarta-feira da semana passada. A vítima foi atingida por tiros no peito.
Vizinhos contaram que a relação dos dois era conflituosa. ''Eles brigavam bastante. Ouvíamos muitos gritos e xingamentos'', revelou uma moradora do Residencial Cauã, que preferiu ter a identidade preservada.
Segundo testemunhas, uma nova discussão precedeu a morte. ''Ele berrou que iria jogar toda a roupa dela pela janela. Logo depois ouvimos os disparos'', contou a vizinha.
A motivação do crime pode ter sido passional. Chimenes foi encontrado morto com uma faca na mão. A pistola da soldado Maria Eugênia foi apreendida - ela estava em serviço no momento da ocorrência.
A soldado não será investigada pela Polícia Civil. O artigo nono do Código de Processo Penal Militar estabelece que crimes envolvendo policiais devem ser apurados pela própria corporação.
O 5º BPM abriu ontem mesmo um inquérito policial militar que deve ser concluído em, no máximo, cinco dias. Maria Eugênia prestou depoimento no início da noite. Duas testemunhas também foram ouvidas - o policial que trabalhava com a soldado e a síndica do prédio.
''O inquérito vai instruir o processo penal e quem vai emitir o juízo de valor é o Ministério Público e o Poder Judiciário. A Polícia Militar vai fazer essa peça informativa, colher todos os elementos que existem para que eles avaliem e determinem a providência a ser tomada'', explicou o porta-voz do 5º BPM, capitão Nelson Villa.
Em âmbito administrativo, ela pode ser expulsa da Polícia Militar. ''Ela estava em serviço e teria saído do posto para verificar uma informação pessoal'', acrescentou Villa.
Em depoimento, Maria Eugênia teria dito que agiu em legítima defesa. ''Ela se apresentou espontaneamente e pude ouvir nos testemunhos que a conduta dela está absolutamente justificável'', explicou o advogado João dos Santos Gomes Filho, que defende a policial.
Maria Eugênia ficará presa no 5º BPM. Ela é formada em Direito e filha do ex-goleiro do Londrina Esporte Clube, Zeferino Pasquini.

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