PM é preso suspeito de participar de chacina no Noroeste
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina Um policial militar foi preso na manhã de ontem em Flórida (Noroeste) suspeito de participar da chacina que vitimou quatro jovens há pouco mais de dois meses na cidade da Região Metropolitana de Maringá. Na casa dele, os policiais encontraram um pequena porção de maconha e munições de uso restrito das Forças Armadas. Ele foi encaminhado para a 9ª Subdivisão Policial (SDP) de Maringá, para prestar depoimento e, em seguida, levado para a sede do 4º Batalhão da Polícia Militar, onde vai cumprir prisão temporária.
Os quatro jovens foram mortos com tiros na cabeça. Desde o início das investigações, os parentes e amigos do londrinense assassinado Daniel Gonçalves Junior, de 20 anos, haviam apontado o policial militar como suspeito do crime. Segundo o tio do rapaz, Lindomar Gonçalves, o sobrinho era vizinho do policial, que não aceitava o relacionamento da irmã com o rapaz. "Meu sobrinho já tinha sido agredido e fugiu depois do policial disparar duas vezes contra ele", contou.
O delegado chefe da 9ª SDP, Osmir Ferreira Neves, contou que há fortes indícios de que o policial, que não teve a identidade revelada, seja um dos autores da chacina. Neves preferiu preservar os detalhes das investigações para não comprometer o inquérito. "Tínhamos quatro linhas de investigação, mas essa foi a que ganhou mais força nas últimas semanas", contou. O delegado disse que as investigações devem buscar outros envolvidos.
FASE FINAL
A participação de outros policiais não está descartada. "Vamos buscar identificar a participação de outras pessoas, policiais ou não. A cena do crime denota o envolvimento de mais envolvidos. Pelas características de quatro mortes simultâneas, teria que haver um equilíbrio de forças", avaliou. Com os últimos avanços, Neves afirmou acreditar que o inquérito se aproxima de uma fase final. O soldado, que ingressou na corporação há 1 ano e 6 meses deverá ficar preso por 30 dias, segundo o delegado, para não interferir nas investigações.
Lindomar, que ficou sabendo da prisão do policial pela reportagem, disse que a notícia trouxe um alívio. "É bom saber que a justiça está sendo feita. Independente se a pessoa é policial, tem que pagar pela atrocidade que fez. Ninguém tem o direito de tirar quatro vidas e esconder os corpos no meio do mato, como se fossem animais". Ele disse confiar no trabalho da Polícia Civil e que espera que os outros envolvidos sejam presos. "A angústia continua, mas hoje com certeza vamos dormir um pouco melhor".
O comando da Polícia Militar informou que desde o início colabora no procedimento investigatório coletivo que, inclusive, culminou na prisão temporária do soldado que trabalhava em Colorado, na mesma região. Segundo o comandante do 4º Batalhão de Maringá, coronel Antônio Roberto dos Anjos Padilha, o policial será submetido a um conselho de disciplina que pode resultar na expulsão da PM, além da responsabilização criminal. Padilha informou que o soldado se mantém "frio" e "tranquilo" diante da gravidade dos fatos e que continua a negar as acusações.
O CASO
Além de Daniel, foram mortos Éder das Neves de Oliveira, 21, Ana Cláudia Alves, 22, e Jonathan Moreira da Silva, 17. Eles foram vistos pela última vez no fim de semana do dia 8 de março. Os corpos foram encontrados dez dias depois, em um canavial da zona rural de Flórida. A casa onde eles estavam foi encontrada aberta e toda revirada. Daniel estava morando em Flórida havia oito meses.


