PM é morto por policial civil em SP
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sábado, 20 de fevereiro de 1999
Por Uilson Paiva 
São Paulo, 21 (AE) - O soldado José Carlos Lopes Melo, da 2.ª Companhia do 4.º Batalhão da PM, foi morto na madrugada de hoje por um policial civil no Terminal da Barra Funda, na zona oeste. Eram 3 horas, quando o PM, que estava de folga e vestido à paisana, sentou-se em um dos bancos do jardim da estação com uma mulher que tinha encontrado havia pouco em uma barraca de bebidas.
Passando por ali, o garçom desempregado Émerson Carlos de Campos, de 24 anos, puxou conversa com o casal. Irritado, o soldado mandou-o sair. Os dois discutiram e o PM apontou uma arma para o garçom, que imediatamente procurou a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom).
Acompanhado do escrivão de polícia Anderson Luís, o garçom voltou ao jardim para procurar o homem armado - que até o momento não se havia identificado como PM. Conforme registro no boletim de ocorrência, ao perceber a aproximação da dupla, o soldado imobilizou o garçom com uma gravata e apontou um revólver para sua cabeça.
álcool - Nesse momento, o escrivão teria-se identificado e exigido que o PM baixasse a arma. O soldado largou o garçom, mas jogou-se na direção do escrivão. Ambos estavam de arma em punho. Foi quando ocorreu o disparo, que acertou a cabeça do PM, mais tarde identificado por sua carteira funcional. Ele foi levado para a Santa Casa de Misericórdia, onde morreu, às 5 horas.
O caso revoltou os PMs que foram ao Terminal da Barra Funda. No boletim de ocorrência, porém, consta o depoimento de testemunhas que garantem ter visto o soldado bebendo muito antes do crime. O garçom Campos acredita que a culpa tenha sido do PM. "Ele não disse que era policial e pulou para cima da arma do escrivão."
O delegado titular da Delpom, Valdir de Oliveira Rosa, culpou a bebida pelo incidente. "Como neste caso, o consumo de álcool é a principal causa dos homicídios", disse. O escrivão, que tem cinco anos de Polícia Civil, prestou depoimento hoje ao delegado e à Corregedoria da PM e agora está em férias por 15 dias.
Tanto ele quanto o soldado foram submetidos a exames de dosagem alcoólica. O PM era viúvo e tinha dois filhos. Em serviço no bairro de Perdizes, ele havia trabalhado até as 22 horas de sábado. "Infelizmente, o que não deveria ocorrer nem com dois civis foi acontecer com dois policiais", resumiu o delegado.


