Rio, 07 (AE) - Pelo menos 30 angolanos foram detidos na Favela Nova Holanda, zona norte da cidade, numa operação que envolveu cerca de mil policiais militares, civis e federais, hoje à tarde. Um policial foi morto durante a operação. Desde a quinta-feira passada, quando seis pessoas foram mortas na guerra pelo controle do tráfico de drogas, a Secretaria de Segurança Pública investiga uma suposta quadrilha de "mercenários angolanos" refugiados no Rio, que estaria treinando jovens da Favela do Timbau, vizinha à Nova Holanda.
"O secretário Josias Quintal determinou pressão total contra o tráfico", afirmou o coronel Rosemberg Rodrigues da Silva, um dos comandantes da ação, que contou com a cobertura de dois helicópteros. Os angolanos passaram por triagem no Posto de Policiamento Comunitário da Vila do João para saber quantos estão em situação ilegal no País. Oito deles não tinham qualquer documento e foram levados para a sede da Polícia Federal, na zona portuária, onde seriam interrogados na Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
Apesar da hipótese investigada por policiais civis de envolvimento de refugiados angolanos com o tráfico de drogas e do aparato policial montado na favela, o coronel Rosemberg nega que a polícia tenha qualquer suspeita nesse sentido. "Estamos apenas procurando estrangeiros de qualquer nacionalidade, sem documentos", disse.
Morte - Por volta das 13 horas, houve troca de tiros entre policiais e traficantes. O cabo Celso de Oliveira Lins, lotado no 22.º Batalhão de Polícia Militar (Benfica), foi baleado no queixo por um homem que se escondia na laje de uma casa. Lins morreu no Hospital Geral de Bonsucesso. O comércio ficou parcialmente fechado e os moradores, acuados, temiam que a polícia deixasse a favela. Havia o risco de novos tiroteios.
O clima está tenso na Nova Holanda desde a noite de quinta-feira passada, quando 50 homens chegaram à favela em dois caminhões baú. Eles vestiam roupas com camuflagem - semelhante ao uniforme do Exército - e estavam armados de fuzis. Seis pessoas morreram e quatro ficaram feridas na ação.

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