São Paulo, 23 (AE) - O assaltante de bancos Sandro Paulo de Lima, de 26 anos, foi preso na manhã de hoje depois de assaltar com dois cúmplices a agência do Banco do Brasil na Avenida Maria Amália Lopes de Azevedo, no Tremembé, zona norte de São Paulo. O ladrão é acusado de ter assassinado na porta do banco o soldado da Polícia Militar Maurício Cavalaro, de 30 anos
com um tiro de fuzil Colt.
Ao ser autuado em flagrante, Lima disse aos policiais militares que não estava arrependido. "Quando saio para um assalto mato quem tentar impedir o roubo ou a fuga", declarou. As afirmações de Lima revoltaram policiais civis e militares. Ao receber voz de prisão, o ladrão enfrentou policiais militares e somente foi dominado com a chegada de outros PMs. O soldado morto estava na corporação havia 11 anos.
Era casado, tinha um filho de 1 ano e descia do carro da PM quando foi atingido. "Ele nem chegou a apontar o revólver para o ladrão", afirmou o major Araribóia Delecrédio, subcomandante do 9.º Batalhão, onde o soldado trabalhava. Crime - O assalto ao Banco do Brasil ocorreu assim que o expediente começou. Os três ladrões dominaram os vigilantes, recolheram os malotes com dinheiro e quando saíam em direção a um Vectra ocupado por um outro assaltante viram o carro da PM estacionar.
O soldado Cavalaro e outro militar foram recebidos com tiros de fuzil, pistola automática e metralhadora. Uma das balas acertou a cabeça do PM que morreu ao ser socorrido. Outros tiros atingiram a lataria do carro da PM e levaram pânico e desespero a muitas pessoas que passavam pela avenida ou que chegavam ao banco.
Lima carregava o fuzil e com a chegada de mais militares correu e jogou a arma. Ao ser levado para o 20.° Distrito alegou que o soldado fora morto por um cúmplice. "Quando presos eles lançam a culpa nos que fugiram", relatou o major. Audaciosos - O oficial da PM contou que os criminosos estão cada vez mais audaciosos, não temem a polícia e atiram para matar. "Eles enfrentam a gente, matam e depois agem como se nada tivesse ocorrido". O Vectra usado pelos assaltantes foi roubado no início da semana na zona sul da cidade e deixado próximo do prédio do banco. Os ladrões abandonaram na fuga os malotes com o dinheiro, o fuzil, uma automática e um revólver.
O assaltante não denunciou seus cúmplices. Disse aos policiais militares que na terça-feira fora convidado para assaltar o banco por um amigo que conheceu num bar. O encontro ocorreu hoje pela manhã no centro de Santana. Lima também não quis dizer onde conseguiu o fuzil de fabricação norte-americana. Alegou que um dos cúmplices levou as armas e as entregou momentos antes do ataque ao banco.
O ladrão tem passagens por furto e roubo. No dia 9 de julho deste ano foi autuado por assalto. A Justiça relaxou a prisão e três semanas depois Lima foi liberado.

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