PM e família vão ganhar nova
identidade e proteção da Justiça
O soldado Antônio Cláudio Cardoso de Meira, a mulher e os três filhos vão ganhar uma nova identidade e uma nova moradia. Meira depôs na tarde de ontem na Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em Brasília, e confirmou a autenticidade das fitas que exibem os despejos noturnos praticados pela Polícia Militar. O soldado paranaense está sob custódia do Programa de Proteção a Testemunhas, do Ministério da Justiça.
Durante duas horas e meia, o soldado contou à comissão que a polícia agia com violência nos despejos. Acompanharam o depoimento seis deputados, o Procurador Federal dos Direitos do Cidadão, Wagner Gonçalves, e o jurista Percílio de Souza, que representa a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na comissão e é relator do processo da comissão que apura as denúncias de irregularidades nos conflitos agrários do Paraná.
O depoimento reservado de Meira estava marcado para as 15 horas. Estrategicamente - para não chamar a atenção da imprensa -, o presidente da comissão, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), iniciou o depoimento por volta das 14 horas. Meira chegou ao Congresso de capacete para não ser identificado. Chorou por três vezes ao relatar os abusos que presenciou em Mariluz e nas fitas que chegaram à imprensa. Eleconfirmou que mulheres e crianças sofreram maus tratos ao ficar exposto no frio sem qualquer possibilidade de se agasalhar. Meira lembrou ainda da perseguição que sofreu ao ser apontado como o responsável pelo repasse de fitas de vídeo à Folha do caso Joni Rodrigues.
A comissão deve decidir somente em agosto, quando termina o recesso parlamentar, quais os encaminhamentos que irá tomar sobre o caso e se irá convocar algum representante do Governo do Estado para explicar as denúncias.(D.V.)

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