RIO - Às vésperas de o 18º Batalhão da PM, em Jacarepaguá, ter um novo comandante, a violência explodiu na Cidade de Deus, na zona oeste da cidade, onde um cinegrafista amador filmou a truculência de policiais militares daquele batalhão, em cenas exibidas no ‘‘Jornal Nacional’’, no último dia 7. O policial militar Ricardo André da Silva, de 23 anos, que mora no bairro e era lotado no 14º Batalhão da PM (Bangu) foi executado no fim da noite de domingo na Avenida Cidade de Deus, com cinco tiros no peito e um na cabeça.
Policiais da 32ª Delegacia Policial, em Jacarepaguá, acreditam que Silva pudesse estar ligado a traficantes de drogas e suspeitam que o assassinato possa ter sido cometido por um traficante conhecido como Abelardo, que está com habeas corpus e dominaria a Quadra 15, uma localidade na Cidade de Deus. O outro lado da favela, no Conjunto Margarida, é dominado por um certo Ozinho.
Traficantes da Cidade de Deus, em guerra com outras quadrilhas, da Mangueira e do Morro do Alemão, balearam na madrugada de sábado o soldado da PM Vitorino Alves Santiago, de 25 anos, na localidade conhecida como Quadra 15. Ele estava saindo de casa para encontrar um amigo quando, ao passar pela Travessa do Sal, foi abordado por dois homens. Santiago conseguiu correr e, apesar de baleado com quatro tiros, sobreviveu. Na madrugada de domingo, foi a vez de Márcio Honório Gomes, de 17 anos, ser executado com nove tiros de fuzil. Todos os crimes têm ocorrido à noite, no horário em que a polícia está proibida de fazer operações regulares nas favelas e áreas de riscos.
O gari Antônio Carlos da Silva, de 60 anos, pai do PM assassinado, disse não ter entendido o que aconteceu. ‘‘A vida não tem o menor valor aqui’’, afirmou.

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