PM e agentes evitam rebelião em Beltrão
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Francisco Beltrão - As rebeliões e os motins nas penitenciárias do Paraná não cessam. Um dia depois do término da revolta na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM), ontem foi a vez dos presos da Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PFB), no Sudoeste, se rebelarem. O motim, porém, foi controlado no final da manhã pelos agentes penitenciários e a Polícia Militar, que precisou invadir a unidade para debelar o movimento organizado por cerca de 40 presos na quarta galeria do bloco três.
Segundo informações do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), os detentos tentaram render aproximadamente oito agentes no momento em que era servido o café da manhã, por volta das 6h30. Duas celas da galeria estavam arrebentadas. Os agentes teriam conseguido isolar a área e acionaram a PM. Os detentos arrombaram mais quatro celas e permaneceram amotinados na quarta galeria no momento em que a polícia entrou na unidade. A reportagem não conseguiu falar com a direção da PFB. Contando com as rebeliões anteriores, a tentativa de ontem engrossa a estatística de 23 motins realizados no sistema penitenciário do Paraná neste ano.
Quando não teve rebelião, teve fuga, como as registradas neste mês na Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu (PEF) 2, de onde escaparam sete presos, e no Minipresídio da Cadeia Pública de Maringá. Hoje, às 9 horas, o Sindarspen fará um ato de repúdio em frente ao Palácio Iguaçu contra a administração do sistema penitenciário do Estado. Além de cobrar mais segurança nas unidades penitenciárias, o sindicato defende a autonomia administrativa do Departamento de Execução Penal (Depen) em relação à Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Seju). "Já tivemos 23 rebeliões neste ano, com 46 agentes penitenciários feitos de reféns. Queremos o Depen autônomo, com pessoas que realmente entendam de segurança. O Paraná deveria ter uma secretaria de administração penitenciária, como já acontece no Rio Grande do Sul, em São Paulo e em Minas Gerais", afirmou o presidente do Sindarspen, Anthony Johnson. Outras reivindicações da categoria são o envio por parte do governo estadual de um projeto de lei à Assembleia Legislativa visando a ampliação do número de vagas para a contratação de agentes, redução da superlotação penitenciária e ampliação do grupo de intervenção tática, que atua nos momentos de crise.
Para Johnson, a série de rebeliões não tem motivação política, diferente do que aliados do governador reeleito Beto Richa (PSDB) sustentavam durante a campanha eleitoral. "Foram sucessivos erros. O que faltam são medidas enérgicas por parte do governo. A segurança dos detentos, dos agentes e da população tem que vir em primeiro lugar e não medidas que visem cumprir metas de redução de superlotação", criticou. Questionado se as Penitenciárias Estaduais de Londrina (PEL 1 e PEL 2) são a bola da vez, o presidente do Sindarspen respondeu que "os presos estão articulados, o governo tem que monitorar e tomar cuidado".
PLANO
A Seju não comenta a reivindicação do sindicato dos agentes penitenciárias sobre a autonomia do Depen. Semana passada, em visita a Londrina, a secretária de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Maria Tereza Uille Gomes, disse que a pasta criou um conselho de movimentação de carreira no Depen, presidido pelo diretor do órgão, para que as principais reivindicações dos detentos com relação a transferências para outras unidades sejam "periodicamente atendidas". No dia seguinte à vinda da secretária à cidade, o governo anunciou um novo plano de segurança nas penitenciárias para tentar conter a onda de rebeliões no Estado. Conforme a FOLHA noticiou ontem, a assessoria de comunicação da Seju informou que a diretoria técnica da secretaria estudará ainda nesta semana maneiras de colocá-lo em prática. A primeira ação seria encaminhar para a Assembleia Legislativa um projeto de lei que obriga as companhias telefônicas a bloquear sinais de celulares dentro das penitenciárias.


