A Polícia Militar do Paraná pode entrar em greve novamente se o governo estadual não apresentar proposta de reajuste salarial. O comando do movimento grevista, encabeçado pelas mulheres dos policiais, já está coletando alimentos e barracas, prevendo uma grande paralisação. De acordo com Isabel Neves, uma das líderes do movimento, a decisão sobre a greve pode sair nos próximos dias.
O governador Jaime Lerner (PFL) deve reassumir o cargo amanhã. Os policiais esperam que ele apresente uma proposta de reajuste salarial. ‘‘Ainda temos a esperança que ele apresente algo para nós e não seja preciso tomar nenhuma atitude’’, disse Isabel Neves. A expectativa é que outras categorias de servidores estaduais, insatisfeitas com o governo, como os professores e agentes penitenciários, também participem da paralisação.
A PM reivindica o pagamento de horas extras, a garantia de que policiais não tenham que arcar com prejuízos nas viaturas nos casos de acidente durante ocorrências, o estreitamento dos prazos para promoção dos militares e a revisão do Código de Valores e Vencimentos (CCV). Em maio deste ano, as mulheres dos policiais fizeram um protesto que durou oito dias.
A Secretaria de Segurança informou ontem, através de sua assessoria, que a comissão formada para analisar esse assunto reúne-se amanhã para tentar concluir as propostas que serão levadas aos PMs.
Já os agentes penitenciários podem paralisar as atividades antes do movimento conjunto dos servidores estaduais. Eles se recusam a assumir os postos de trabalho na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, que estão sob o comando da Polícia Militar desde o fim da última rebelião, no dia 12 de junho.
Se os agentes forem forçados a voltar ao trabalho, como quer a Secretaria Estadual de Segurança Pública, eles vão paralisar o trabalho, informou a presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná (Sinssp), Sandra Duarte. ‘‘Se a secretaria coagir, temos certeza que cabe também mandado segurança contra esse abuso de poder’’, declarou Sandra.
O clima na PCE está tenso, principalmente após a descoberta de sete túneis, abertos durante a última rebelião. O comando da PCE acredita que pode haver outros túneis e armas escondidas no local. De acordo com Sandra, os agentes só vão assumir os postos depois que o governo atender a algumas reivindicações. Entre elas, a contratação de mais funcionários e realização de vistorias pelo Corpo de Bombeiros e Conselho Regional de Engenharia (Crea), que garantam a integridade física na PCE.

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