PM diz que apreendeu armas de acampados no Rio Iguaçu
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Paulo Pegoraro 
A Polícia Militar informou ontem que foram apreendidas, em Quedas do Iguaçu, no Sudoeste do Estado, de três armas de cano longo, que estariam sendo portadas por sem-terra que na semana passada invadiram o Imóvel Rio Iguaçu, da empresa madeireira Araupel. Segundo o capitão Celso Borges, destacado para comandar as ações preliminares da PM em torno do caso, a apreensão foi feita pela Polícia Florestal (estadual), em fiscalização para coibir caça de animais na área. Nenhum sem-terra foi preso.
A PM informou que os policiais florestais identificaram os portadores das armas como sendo Vanderley Siminhak e Irineu Dolinski, sem-terra vindos do município vizinho de Santa Izabel do Oeste. Com eles, estariam espingardas de calibres 12, 20 e 22, levadas para o Destacamento da PM de Quedas do Iguaçu. A prisão de Vanderley e Irineu, que teriam se identificados como seguranças da ocupação, não teria sido possível porque eles teriam conseguido fugir, com apoio de outros sem-terra. O grupo faria parte da patrulha armada, de proteção às mais de três mil famílias que ocupam a propriedade.
A suposta existência do grupo foi informada pela direção da Araupel, segundo a qual a patrulha é composta por 21 homens fortemente armados, que circulam em um caminhão, mas não há confirmação oficial de que ela exista. Em Cascavel, o tenente-coronel Ailton Lino da Silva, comandante do 6º BPM, de onde devem ser enviados homens para uma eventual desocupação da propriedade, relata que alguns policiais disseram já terem visto a patrulha, mas não temos confirmação definitiva.
A Folha tentou contato com coordenadores regionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná, em Cantagalo, mas nenhum foi encontrado para dar versão para a denúncia da existência da suposta da patrulha armada e o caso das espingardas apreendidas. Uma assessora da coordenação comentou apenas que é estranho, terem apreendido as armas, mas não terem conseguido prender os que as portavam. O MST anunciou que os sem-terra tentarão resistir à reintegração de posse, caso a PM tente executá-la. O movimento alega que a maior parte (de reflorestamento) dos 5 mil hectares do Imóvel Rio Iguaçu não cumpre função social.


