Curitiba - A Polícia Militar pode abrir um processo administrativo contra o sargento Luiz Honório dos Santos Neto, que foi condenado pela Justiça do Paraná por crime de racismo contra dois soldados dentro da corporação. O sargento ainda pode recorer da sentença proferida pela juíza da 11 Vara Criminal de Curitiba, Maria Lúcia de Paula Espíndola. Contudo, se ele perder nas outras instâncias e a decisão transitar em julgado (quando não há mais possibilidades de recursos), a PM garante que o sargento será avaliado por um júri interno e, se for o caso, punido.
Segundo o chefe da Comunicação Social da PM, major Roberson Luiz Bondaruk, primeiro é preciso que a Justiça comum condene o sargento para que seja instaurado um procedimento administrativo dentro da corporação. Caso o sargento seja realmente condenado em outras instâncias (seu advogado informou ontem à reportagem que irá recorrer da sentença), uma comissão da PM vai julgar se ele tem condições morais para permanecer na corporação, explicou Bondaruk. ''Esse julgamento só é feito depois da última decisão da Justiça, pois de repente o policial pode ser expulso da corporação pelo júri, mas no final das contas a Justiça o inocenta. Ou o contrário.''
Um dos policiais vítima da manifestação racista do sargento, o soldado Ivan Luiz Camargo dos Santos, já está sofrendo um processo administrativo dentro da PM e corre o risco de ser expulso. Segundo ele, desde que fez a denúncia começou a ser hostilizado na corporação e sofrer perseguição. Contudo, o major Bondaruk justifica que o processo está correndo porque Camargo extrapolou o número de advertências que um policial pode ter. Uma das acusações que pesa contra o soldado é o fato de ele ter dado entrevistas fardado a emissoras de televisão sobre o caso. ''Todo policial fardado fica sujeito ao regulamento da corporação, que determina que só se pode conceder entrevista com autorização prévia'', explicou Bondaruk. O soldado está cumprindo licença médica.

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