Tracunhaém, PE - Policiais militares fizeram ontem a reintegração de posse do Engenho Prado, da Usina Santa Teresa em Tracunhaém. Foram destruídos os três acampamentos de sem-terra ligados à Comissão Pastoral da Terra. A ação, iniciada às 5h, envolveu 385 homens da Polícia Militar, um helicóptero, três tratores, 17 caminhões, além de várias viaturas da PM. A fazenda estava ocupada havia mais de seis anos.
A reintegração de posse foi determinada pelo juiz Carlos Alberto Maranhão de Oliveira, da comarca de Nazaré da Mata. O engenho é uma das áreas de maior conflito na disputa pela terra no Estado.
Foram destruídas cerca de 180 moradias, três escolas e quatro igrejas e as 300 famílias dos acampamentos Chico Mendes 1, Chico Mendes 2 e Taquara ficaram desabrigadas. Três pessoas foram presas a líder do Chico Mendes 2, Luíza Cavalcanti, acusada de desacato e dois homens (um deles menor) por porte de espingarda soca-soca, de fabricação caseira, usada no interior para caçar passarinho. Quatro dessas armas foram apreendidas, além de dezenas de enxadas e foices dos trabalhadores.
Os sem-terra pretendiam, em princípio, não deixar o local. Eles cultivavam metade dos 800 hectares do engenho e abasteciam as feiras de cinco municípios da região com verduras, inhame, macaxeira, batata doce, feijão e milho.
O gerente-geral da Usina Santa Teresa, José Mário Santos, informou que após a conclusão da reintegração as lavouras seriam destruídas para dar lugar a plantação de cana-de-açúcar.
No final da tarde, os trabalhadores decidiram ir todos para o Engenho Bonito, em Condado, também de propriedade do grupo João Santos, depois de saber que o mesmo poderá vir a acontecer neste acampamento. A intenção é impedir nova destruição.
Os sem-terra presos foram libertados no final da tarde.

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