O secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, confirmou ontem que as operações nas fazendas ocupadas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) irão continuar na região noroeste do Estado. Segundo ele, o governo está empenhado em garantir o cumprimento de ordens judiciais de despejo. A ação de ontem, segundo Cândido Martins de Oliveira, foi pacífica e não houve resistência pelos sem-terra. ‘‘Não houve um só tiro, nenhuma bomba de gás foi lançada’’, disse. ‘‘Os sem-terra saíram pacificamente e estão sendo levados a suas cidades de origem.’’
O secretário negou-se a dar detalhes das futuras operações, que seriam oito nas próximas horas. ‘‘Isso é segredo de Estado’’, afirmou. Oliveira disse que as incursões não têm prazo para terminar. Em entrevista coletiva no Palácio Iguaçu, na tarde de ontem, Oliveira alegou nunca ter negado a realização da operação. Segundo ele, ela faz parte de um ‘‘planejamento global de desarmamento que o governo está colocando em prática em todo o Estado’’.
O secretário assinalou que as seis fazendas desocupadas tinham ordem de reintegração de posse e eram consideradas produtividas pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra).
As operações da polícia foram criticadas pelos representantes dos sem-terra. O coordenador do MST no Paraná, Rogério Mauro, denunciou que as ações de despejo foram violentas, com a queima de barracas e dos pertences dos agricultores.
O coordenador estadual do MST, Rogério Mauro, acusou o governador Jaime Lerner de ‘‘perseguir os agricultores do interior do Paraná da mesma forma que o ditador alemão Adolf Hitler fazia com os judeus durante a Segunda Guerra Mundial’’. Lerner é filho de judeus poloneses. Mauro disse ter informações de que o governo pretende mandar as famílias despejadas para seus locais de origem. Muitas seriam brasiguaias (famílias de brasileiros vivendo no Paraguai) e teriam saído daquele país por causa de perseguições. ‘‘O governo quer mandar elas para lá, onde correm risco de vida. São as ações de Jaime Hitler no Paraná.’’

mockup