São Paulo, 26 (AE) - A Polícia Militar desocupou hoje um prédio de três andares que fora invadido por ambulantes no Brás, zona leste de São Paulo, havia mais de um mês. Cerca de 60 pessoas foram retiradas do Edifício Cândida às 6 horas e abrigadas na sede do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo, que fica no mesmo bairro do imóvel.
A ambulante Quitéria Maria da Silva Oliveira, de 33 anos
disse que os policiais foram ríspidos, mas não usaram a força para que os invasores deixassem o lugar. Dona de uma banca de roupa na Avenida Rangel Pestana, ela, o marido e seus dois filhos dividiram com outra família de camelôs um dos 19 apartamentos do prédio. "Todo mundo que estava lá não tinha como pagar aluguel e havia sido despejado."
Em outubro, quando o edifício, em condições precárias, foi ocupado, líderes dos camelôs afirmaram que a invasão tinha a intenção de pressionar a Prefeitura a rever sua posição de impedir a ocupação de ambulantes nas ruas e calçadas da cidade. José Ricardo Teixeira da Silva, o Alemão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal, disse, na época, que aquela seria apenas a primeira de várias invasões que seriam promovidas na cidade. "Vamos invadir outros imóveis."Dias depois, a ameaça foi cumprida e outro prédio foi invadido. Daquela vez na Rua Ezequiel Ramos, na Mooca.
Ação - Diante das invasões e das ameaças de novas ocupações, o prefeito Celso Pitta (PTN) entrou com uma representação contra o sindicalista no Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), no fim de outubro. A ação pretende responsabilizar Alemão por incentivar a prática de invasões em propriedades públicas e privadas. O sindicalista, entretanto, disse que essa ação não o intimidaria. Os diretores do sindicato ainda não informaram como vão ajudar os desalojados. Por enquanto, eles devem ficar na sede da entidade.

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