Aproximadamente 400 policiais militares foram deslocados, ontem, para cumprir o mandado de reintegração de posse da Fazenda Monte Verde, em Jundiaí do Sul (64 km ao sul de Jacarezinho), ocupada por integrantes do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast) desde julho do ano passado. A área tem como um dos proprietários, João Henrique da Silva Carneiro, morador de Jundiaí, que também esteve no local acompanhando a desocupação.
As 240 famílias que ocupavam a área de 540 alqueires saíram pacificamente. Além de hortaliças, os integrantes do Mast estavam subsistindo do cultivo de abóbora, milho, pepino, feijão, arroz. ''Não havia necessidade dessa quantidade de policiais porque somos um movimento pacífico, não pensamos em resistir em nenhum momento'', comentou Aparecido Duarte, 39 anos, militante do Mast. Segundo ele, os integrantes do movimento ficaram sabendo da reintegração na segunda-feira e estavam preparados para a retirada.
De acordo com o comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, major Ayrton Sérgio Diniz, de Jacarezinho, o número de policiais foi escalado de acordo com o número de adultos presentes na propriedade. ''A negociação foi tranquila e já imaginávamos que a ação fosse ocorrer de forma pacífica. Havíamos sido comunicados sobre a chegada de mais famílias nos últimos dias, então, para evitar qualquer conflito deslocamos o pessoal como medida de precaução'', disse.
O grupo foi aos poucos desmontando as casas de madeira que já estavam bastante estruturadas. Caminhões, providenciados pelo dono da área, foram enviados até o local para ajudar no transporte dos objetos. A polícia teve dificuldade para chegar à sede da fazenda. Pontes de madeira que davam acesso aos barracos, foram quebradas e queimadas pelos próprios integrantes do movimento. Um dos coordenadores do Mast, Lourival Vicente, confirmou a ação. ''O próprio pessoal que estava morando aqui fez isso, mas não foi uma ação para prejudicar a ação da polícia. É uma ação para chamar a atenção do governo para que saibam que as pessoas aqui precisam de um lugar pra morar'', disse.
As famílias iniciaram a montagem dos barracos na beira da estrada rural próxima à entrada da fazenda. ''Vamos continuar por aqui até que o governo se manifeste de alguma maneira'', comentou Lourival.
Sete famílias devem ficar na fazenda, já que são funcionários. O proprietário disse que estará avaliando a situação da área pois acredita que possa ter ocorrido ''degradação ambiental''. ''Quando foi ocupada, a fazenda estava sendo preparada para o plantio de soja. Vamos analisar a área porque tinha famílias que estavam acampadas próximo de nascentes. Depois disso veremos o que vamos fazer, mas com certeza reativaremos as atividades agrícolas'', comentou.

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