Marta Medeiros
De Maringá
A Polícia Militar desocupou ontem a Fazenda Contestado, em Itaúna do Sul (84 quilômetros a noroeste de Paranavaí) invadida no início deste mês por famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Foram mobilizados cerca de 200 homens de comandos das regiões Norte e Noroeste do Estado. Durante a operação, nove sem-terra foram presos e levados para a Delegacia de Polícia Civil de Nova Londrina.
Os sem-terra presos foram indiciados por formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Eles estavam com 10 espingardas e três revólveres calibre 38 e algumas balas. Segundo o delegado Eduardo Mady Barbosa, designado pela 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí para colaborar nos inquéritos de Nova Londrina, como a autuação foi em flagrante, o crime de formação de quadrilha não permite fiança.
O advogado do MST, Avanilson Alves Araújo, tentava ontem preparar um pedido de liberdade provisória para os nove sem-terra. Segundo Araújo, o MST não entendeu a ação do governo, um dia depois que o movimento sentou com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para tentar estabelecer um cronograma para as desocupações. O acordo deverá viabilizar o assentamento de 1,2 mil famílias até o final do ano. O advogado contou que estava preocupado com o destino das famílias despejadas.
‘‘Precisamos ter tempo e condições para abrigá-las’’, disse. Araújo iria ouvir as famílias da Contestado para verificar se houve ou não violência durante a operação da PM.
Foram presos Emídio Machado, José Salustiano Filho, Zauri da Rosa, José da Silva Rosa, Gilberto da Silva, Severino Raimundo da Silva, Vanderlei de Souza, Anderson Aparecido da Silva e Ismael Silva. Somente Salustiano Filho está em cela especial porque é professor e tem formação universitária.
As famílias da Contestado deveriam integrar o assentamento de Sebastião Camargo, em Nova Londrina, que faz divisa com a fazenda Santo Angelo, também ocupada pelo movimento.
Com a ação de ontem, o governo do Estado tenta mostrar que as reintegrações de posse podem ser feitas sem confronto e pelas mãos da Polícia Militar. O objetivo é evitar o descontrole na região Noroeste que desde o último domingo observa a ação de grupos armados por fazendeiros. A Fazenda Contestado, de propriedade de Aparecido Zafanelli, foi invadida no dia 9 e apresentava laudo de produtividade do Incra.
O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, disse que a operação na Contestado pode emperrar os entendimentos com o Incra. A vistoria nas áreas desapropriadas para assentar as famílias está prevista para ter início hoje.
‘‘No momento em que se está negociando, há despejos e prisões. Isso vai agravando ainda mais o problema fundiário no Paranᒒ, reclamou Baggio. O coordenador do MST lembrou que a fazenda Contestado era uma das áreas que fazia parte do acerto para que as famílias desocupassem o local assim que o Incra iniciasse a vistoria. Baggio falou que as conversas com o Incra continuarão hoje mas antecipou que as negociações poderão ser suspensas, caso o governo prossiga com o cumprimento das ações de reintegração de posse. Colaborou Dimitri do Valle, de Curitiba).

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