Curitiba- Aproximadamente 125 policiais militares foram destacados, ontem, para cumprir o mandado de reintegração de posse da Fazenda São Francisco, em Ponta Grossa, ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desde 2005. A área é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas tramita na Justiça uma ação de usucapião proposta pelo tenente-Coronel Waldir Copetti Neves, autor do pedido de reintegração de posse.
As 90 famílias que ocupavam a área de 230 hectares saíram pacificamente. ''A presença da polícia é sempre uma coisa violenta, mas não houve problemas'', contou Arilson de Assis, militante do MST. Segundo ele, os integrantes do MST já sabiam da reintegração desde quinta-feira e estavam preparados para a retirada.
O grupo foi encaminhado ao acampamento Emiliano Zapatta, a dois quilômetros da Fazenda São Francisco, onde já vivem 60 famílias. Trata-se de uma área de 630 hectares, de propriedade da Embrapa, e que já é motivo de negociação entre as partes, para que seja adquirida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e destinada para reforma agrária.
''Nossa preocupação agora é alojar essas famílias, depois vamos ver como é que vai ficar'', disse Assis. O MST espera que a área da Fazenda São Francisco seja reconhecida pela Embrapa e também venha a ser destinada para a reforma agrária. O movimento acusa Copetti Neves de ter se apossado de parte da área da Embrapa, chamada de fazenda São Francisco, alegando ter comprado a posse de terceiros. Neves constesta e ingressou na Justiça com ação de usucapião.
A Polícia Militar também cumpriu a reintegração de posse, ontem, da Fazenda São Roque Gonzalez, em Guapirama (55 km ao sul de Jacarezinho), ocupada em maio de 2006 por 120 pessoas ligadas ao Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast). Segundo o major Arildo Luiz Dias, a desocupação ocorreu sem incidentes e as famílias foram para as margens da rodovia PR-153.

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