PM defende tropa contra acusação de espancamento de menores
São Paulo, 01 (AE) - O comandante-geral da PM, coronel Rui Cesar Melo, afirmou não acreditar que policiais tenham espancado internos da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Para ele, as denúncias foram feitas por adolescentes orientados por "maiores inescrupulosos". Segundo Melo, há pessoas que não estão interessadas em resolver a questão do menor. "Dizem que há 200 Organizações Não-Governamentais em São Paulo para cuidar do menor e elas mobilizam uma grana violenta; de repente, sou obrigado a imaginar que não há muito interesse em resolver o problema." Melo afirmou que a cada dia há mais menores presos -2.883 em setembro e 22.540 no ano. "Isso deve subir em outubro." A seguir, trechos da entrevista ao repórter Marcelo Godoy. Agência Estado - PMs do Comando de Policiamento de Choque foram acusados de espancar internos do Complexo Imigrantes da Febem. Qual o relato do senhor nesse caso? Rui Cesar Melo - Pelo relato que eu tenho, não houve contato físico entre policiais e internos. Houve algumas escoltas de menores que iam ao banheiro e tomar banho. Eles eram levados por monitores da Febem e pela escolta do choque. Eu estou escolado sobre queixa de menores. Em 1997, entrei na mesma Imigrantes, fizemos uma ação legítima e fui acusado de ter metralhado 11 adolescentes. Por causa dessa acusação, o que é esperado por se tratar de menores infratores - o duro são maiores darem crédito a esse tipo de denúncia - passei seis horas numa CPI da Assembléia Legislativa. Mas eu tinha fitas de vídeo que mostravam que aquilo não era verdade. Agora, o que disponho de informação contraria frontalmente o afirmado pelos promotores. Não acredito nessa denúncia. AE - A PM filmou a ação na Febem? Melo - A ação do dia da rebelião foi filmada, mas a dos dias posteriores não, pois era rotina. AE - Por que o senhor acha que os internos estão acusando os policiais? Melo - Eu acho que os menores, orientados por alguns maiores inescrupulosos, estão fazendo essa acusação porque querem ver a PM longe, porque é a melhor maneira de eles se evadirem para voltar a praticar seus crimes. Essas denúncias, feitas sem comprovação, levam o descrédito ao aparelho policial, que deu mostra inconteste de sua capacidade. Isso é mais um desserviço que pessoas inescrupulosas estão fazendo à população paulista. AE - Quem são essas pessoas? Melo - Não vou dizer. Muita gente vem dando receita, discutindo o problema, mas, concretamente, a gente vê dia a dia as coisas piorarem. A ação do choque foi acompanhada por promotores de Justiça, dirigentes da Febem e eu mesmo estive lá. AE - O senhor afirma que o objetivo das acusações é afastar a PM de lá? Melo - Afastar a polícia. Minha principal preocupação é a má intenção de determinados setores que, em tese, trabalham para os menores e não aceitam ver policiais tomando conta deles. A verdade é que eles não querem resolver o problema. AE - Por que não? Melo - Não sei. Olha, dizem que em São Paulo há cerca de 200 ONGs para cuidar da questão do menor. Essas ONGs mobilizam uma grana violenta, até vinda do exterior. De repente, sou obrigado a imaginar que não há muito interesse em resolver o problema porque, assim, não caberia mais a existência das ONGs. Não quero acusar ninguém, mas esse pode ser um motivo. A polícia aposta na solução do problema.





