O Comando da Polícia Militar da Bahia expulsou ontem 68 homens de sua corporação sob acusação de conduta irregular e envolvimento em atos de extorsão, sequestro, homicídio, agressão com arma e furto.
Dos 68 policiais excluídos da PM - inclusive oficiais -, 41 tiveram participação criminosa comprovada em inquéritos policiais militares e civis. ‘‘Esses serão encaminhados à Justiça’’, disse o relações públicas da PM, coronel Deraldo Carvalho Melo.
Segundo a PM, os demais policiais foram excluídos por indisciplina ou comportamento incompatível com a função. ‘‘Queremos uma polícia cidadã, e dentro dessa ótica não há espaço para policiais que não atendem bem à população’’, disse o comandante geral da PM, coronel Antonio José de Souza Filho.
Com as expulsões de ontem, a PM baiana totaliza 148 policiais excluídos desde 1995, sendo 130 somente este ano. Além disso, 144 policiais foram punidos com prisão, repreensão e advertência nos últimos nove meses, segundo dados da corregedoria da instituição.
Desde que foi criada, há dois anos, a corregedoria registrou um total de 1.592 investigações de atos irregulares que vão desde uma simples advertência por atraso ou fardamento inadequado até denúncias de envolvimento em homicídios. Do total investigado, 573 foram punidos com prisão ou advertência, 129 indiciados em Inquérito Policial Militar e 173, colocados à disposição da Justiça.
Deraldo Carvalho Melo disse que as expulsões não representam um aumento no índice de violência policial na Bahia. ‘‘Isso é resultado de um programa de moralização que o comando vem desenvolvendo desde 95’’, disse Melo. O diretor da Associação de Cabos e Soldados da Bahia, Sebastião Bandeira, disse que a entidade vai aguardar a publicação do nome dos demitidos no boletim da PM para ingressar na Justiça com um pedido de reintegração.
‘‘Há muita perseguição política nessa medida adotada pelo comando.’ De acordo com a associação, 56 dos 148 policiais excluídos desde 95 já foram reintegrados à PM pela Justiça. Atualmente, a PM tem 25 mil homens em todo o Estado. A Corregedoria ainda apura outros cem inquéritos contra militares acusados de atos irregulares ou ilícitos.

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