PM cumpre reintegração de posse
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local
Londrina A Polícia Militar (PM) cumpriu ontem reintegração de posse de uma área pertencente à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-LD) localizada no Conjunto José Belinati, na zona norte. Não houve resistência por parte dos moradores. O único momento de tensão ocorreu quando alguns barracos foram incendiados.
A reintegração foi feita por força de determinação judicial expedida em 14 de fevereiro. A ação policial foi adiada por três vezes, em virtude da informação que os moradores teriam entrado com pedido de liminar junto ao Tribunal de Justiça (TJ) para prorrogar a desocupação, o que não se concretizou.
A ocupação irregular teve início em janeiro deste ano e tinha 80 barracos e 150 moradores. O prazo para o cumprimento da decisão judicial venceria na terça-feira. Várias famílias, no entanto, já haviam deixado o local na última semana.
A desocupação teve começou logo no início da manhã e contou com 250 policiais, 100 guardas municipais, homens do Corpo de Bombeiros, agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), além de servidores da Cohab e das secretarias de Assistência Social e Obras. Foram disponibilizados máquinas para a derrubada dos barracos e caminhões para o transporte dos móveis e pertences dos invasores. A Cohab garantiu que os objetos pessoais e materiais dos moradores, que não tinham para onde levar seus pertences, seriam catalogados e armazenados em barracões da prefeitura, ficando à disposição dos proprietários.
De acordo com o coronel Mauro Rolim de Moura, da Polícia Militar, a ação foi planejada por quatro meses e tudo transcorreu de maneira pacífica. "Não houve nenhuma resistência, tivemos uma recepção positiva e os moradores tiveram todo o tempo para retirar seus pertences", afirmou. No meio da manhã, alguns invasores, mais exaltados, atearam fogo em pelo menos seis barracos. O focos de incêndio foram rapidamente controlados pelos bombeiros.
"A casa é minha e por isso eu tenho o direito de colocar fogo. Aqui todo mundo precisa de um lugar para morar e agora não temos para onde ir", destacou Maicon Teixeira, de 25 anos. O morador e outros dois vizinhos foram fichados pelos policiais por terem incendiado os casebres, mas ninguém foi preso. "Entendemos que a ação de atear fogo é uma forma de expressar a revolta desses moradores. Já prevíamos que isso poderia acontecer e o Corpo de Bombeiros estava preparado e tudo foi controlado sem maiores problemas", frisou o coronel.
Assistentes sociais fizeram o cadastro das famílias para a inserção dessas pessoas em programas sociais do município. "Nenhuma família vai ficar desabrigada. Quem não tiver um local para ir será encaminhado, temporariamente, para abrigos. Temos orientado também as pessoas a se cadastrarem na Cohab para poderem ter acesso a programas habitacionais. Não adianta imaginar que invadindo vai ter preferência. Isso não vai acontecer, já que existem critérios a ser seguidos", ressaltou Claudemir Vilalta, diretor financeiro da Cohab.
A companhia informou que há um projeto para construção de 537 apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida na área ocupada. "Esperamos até o final do ano fazer a licitação da empresa responsável pela obra e a nossa previsão é que o empreendimento comece a sair do papel em 2015", frisou Vilalta.
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