Londrina – A Polícia Militar (PM) cumpriu ontem reintegração de posse de uma área pertencente à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-LD) localizada no Conjunto José Belinati, na zona norte. Não houve resistência por parte dos moradores. O único momento de tensão ocorreu quando alguns barracos foram incendiados.
A reintegração foi feita por força de determinação judicial expedida em 14 de fevereiro. A ação policial foi adiada por três vezes, em virtude da informação que os moradores teriam entrado com pedido de liminar junto ao Tribunal de Justiça (TJ) para prorrogar a desocupação, o que não se concretizou.
A ocupação irregular teve início em janeiro deste ano e tinha 80 barracos e 150 moradores. O prazo para o cumprimento da decisão judicial venceria na terça-feira. Várias famílias, no entanto, já haviam deixado o local na última semana.
A desocupação teve começou logo no início da manhã e contou com 250 policiais, 100 guardas municipais, homens do Corpo de Bombeiros, agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), além de servidores da Cohab e das secretarias de Assistência Social e Obras. Foram disponibilizados máquinas para a derrubada dos barracos e caminhões para o transporte dos móveis e pertences dos invasores. A Cohab garantiu que os objetos pessoais e materiais dos moradores, que não tinham para onde levar seus pertences, seriam catalogados e armazenados em barracões da prefeitura, ficando à disposição dos proprietários.
De acordo com o coronel Mauro Rolim de Moura, da Polícia Militar, a ação foi planejada por quatro meses e tudo transcorreu de maneira pacífica. "Não houve nenhuma resistência, tivemos uma recepção positiva e os moradores tiveram todo o tempo para retirar seus pertences", afirmou. No meio da manhã, alguns invasores, mais exaltados, atearam fogo em pelo menos seis barracos. O focos de incêndio foram rapidamente controlados pelos bombeiros.
"A casa é minha e por isso eu tenho o direito de colocar fogo. Aqui todo mundo precisa de um lugar para morar e agora não temos para onde ir", destacou Maicon Teixeira, de 25 anos. O morador e outros dois vizinhos foram fichados pelos policiais por terem incendiado os casebres, mas ninguém foi preso. "Entendemos que a ação de atear fogo é uma forma de expressar a revolta desses moradores. Já prevíamos que isso poderia acontecer e o Corpo de Bombeiros estava preparado e tudo foi controlado sem maiores problemas", frisou o coronel.
Assistentes sociais fizeram o cadastro das famílias para a inserção dessas pessoas em programas sociais do município. "Nenhuma família vai ficar desabrigada. Quem não tiver um local para ir será encaminhado, temporariamente, para abrigos. Temos orientado também as pessoas a se cadastrarem na Cohab para poderem ter acesso a programas habitacionais. Não adianta imaginar que invadindo vai ter preferência. Isso não vai acontecer, já que existem critérios a ser seguidos", ressaltou Claudemir Vilalta, diretor financeiro da Cohab.
A companhia informou que há um projeto para construção de 537 apartamentos do Programa Minha Casa, Minha Vida na área ocupada. "Esperamos até o final do ano fazer a licitação da empresa responsável pela obra e a nossa previsão é que o empreendimento comece a sair do papel em 2015", frisou Vilalta.

Continue lendo:

- Histórias de desemprego, abandono e miséria

Veja as fotos:

PM cumpre reintegração de posse
PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse PM cumpre reintegração de posse