PM controla tumulto na PEL 2
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina O Pelotão de Choque do 5º Batalhão da Polícia Militar (PM) fez um pente-fino durante todo o dia de ontem nas 30 galerias da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), na zona sul de Londrina. A PM foi acionada no início da noite de quinta-feira para conter uma insatisfação por parte dos detentos. Pelo menos dois presos se feriram.
O problema teria iniciado quando um aparelho celular foi localizado nas nádegas de um preso. Ao ser encaminhado para o isolamento, o detento passou mal, caiu e bateu a cabeça no chão. Houve uma reação em cascata dos demais encarcerados que começaram a bater contra as grades e, segundo o vice-diretor da PEL 2, Edimir Cardoso da Silva, a PM foi chamada para evitar que a situação fugisse do controle e para avaliar a estrutura física da unidade.
"O preso foi encaminhado a um hospital e recebeu todos os cuidados médicos, mas não foi nada grave", garantiu Silva.
Celas de três alas tiveram algumas telas de proteção danificadas e torneiras quebradas. Em virtude disso, alguns setores do presídio ficaram sem água. Durante a vistoria da PM, foram localizados celulares, carregadores e alguns estoques, armas artesanais confeccionadas pelos presos.
Membros do Centro de Direitos Humanos (CDH) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se reuniram com o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Katsujo Nakadomari, que também visitou o presídio. "O que o governo precisa fazer é colocar em prática a Defensoria Pública e desafogar a quantidade de presos nas delegacias e penitenciárias do interior do Paraná. Nós já denunciamos esta situação diversas vezes", apontou o coordenador do CDH, Carlos Enrique Santana. "Um preso nos revelou que sofreu uma pancada na barriga durante a vistoria da polícia, mas não foi necessário atendimento médico."
Familiares de presos se aglomeraram durante todo o dia em frente à penitenciária. A maior reclamação era pela falta de informações precisas sobre a situação dos detentos e a proibição de visitas e da entrega de alimentos. As visitas normalmente acontecem às sextas, sábados e domingos. Um comunicado na entrada do presídio informava que as visitas haviam sido canceladas por motivo de segurança.
"A gente fica desesperada. Estou aqui desde as 8 horas e não temos nenhuma informação. É difícil estar nesta situação", contou Nilce Cardoso de Sá, de 49 anos, que tentava visitar um filho e um sobrinho. "Eles têm direito também, não é porque estão presos que podem ser maltratados", frisou Keila da Silva, de 21 anos, que foi até a PEL levar mantimentos para o marido.
A direção da PEL 2 liberou as visitas dos familiares neste sábado, com exceção aos presos que estão nas galerias danificadas. "O clima no presídio está tranquilo, não houve nenhum tipo de dano estrutural e não será preciso nenhuma remoção de preso", afirmou, no início da noite, Edimir da Silva. A PEL 2 tem capacidade para 1.086 detentos e ontem abrigava 1.088.


