‘‘Não foi apenas o tiro que bateu no chão e atingiu o sem-terra. Os policiais deflagraram tiros para o alto, de advertência.’’ A afirmação foi feita ontem pelo comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, coronel Donizete Ribeiro, durante o último depoimento previsto para a conclusão do relatório sobre supostos abusos policiais ocorridos durante o confronto entre policiais militares e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante o conflito, ocorrido no último dia 2 de maio, na BR-277, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, o líder do MST de Candói (PR), Antonio Tavares Pereira, de 38 anos, morreu vítima de hemorragia aguda provocada por um disparo de arma de fogo. Mais de 120 agricultores foram examinados por médicos legistas por ferimentos em decorrência de bala de borracha, mordidas de cães e bombas de efeito moral.
Durante o depoimento à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, o coronel afirmou que a determinação oficial era a de que os policiais militares não deixassem que os trabalhadores entrassem em Curitiba com foices e facões. Ele justificou que, por esta razão, os ônibus foram parados na rodovia e os sem-terra tiveram que descer e entregar as ‘‘armas’’.
Num dos trechos – de acordo com o comandante – três viaturas policiais teriam sido encurraladas pelos manifestantes. ‘‘Eles chegaram a tomar a arma de um policial. Por isto, os outros reagiram’’, afirmou ele.
Apesar de contar que os policiais do 12º Batalhão portavam armas de fogo, ele disse que ainda tem dúvidas de que o tiro que vitimou o líder do MST tenha sido dado por um dos policiais militares. ‘‘O laudo técnico não me convenceu. Ainda estamos investigando’’, analisou ele. O coronel negou que tenha havido qualquer tipo de abuso policial durante o confronto. ‘‘Tecnicamente o militar não teria agido errado. Ele teria atirado para o chão’’, defendeu.
O deputado estadual Waldyr Pugliesi (PMDB), integrante da Comissão de Direitos Humanos, questionou a declaração de que as bandeiras e foices trazidas pelos sem-terra eram armas. De acordo com ele, as foices são instrumentos de trabalho dos agricultores. ‘‘O que a gente sente é que o governo do Estado tinha necessidade de demonstrar força. Aquele conflito foi reflexo disto’’, disparou o deputado.
Na próxima terça-feira, o deputado estadual Edson Praczyk (PL) deverá aprovar o relatório com as conclusões dos parlamentares e as sugestões apresentadas ao Estado.

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