Porto Feliz, SP, 10 (AE) - A Polícia Militar concedeu prazo até o próximo dia 23 para que os sem-terra que ocuparam domingo a Fazenda Engenho Dágua, do grupo União São Paulo, em Porto Feliz, a 120 quilômetros da capital, deixem a área voluntariamente. O acordo, feito hoje, durante uma reunião entre o comandante do 40º. Batalhão da Polícia Militar de Votorantim, tenente-coronel Salvador Mauro Romano, e quatro líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra (MST), não era do conhecimento da juíza de Porto Feliz, Daniela Botoliero Ventrice, que determinou o despejo dos sem-terra em liminar concedida segunda-feira aos proprietários. Ao ser informada pela reportagem, no final da tarde, do acordo ela reagiu: "A Polícia Militar não tem poderes para dar prazo. Estou aguardando que o comando me informe sobre o cumprimento da liminar".
O administrador geral da fazenda, Valdir Ambrósio, disse que a concessão de prazo contraria a decisão judicial. Seu advogado, Douglas Monteiro, entrará amanhã (11) com petição no Fórum de Porto Feliz pedindo o cumprimento imediato da liminar de despejo. "O grupo União São Paulo é autor da ação e nenhum representante foi consultado sobre esse acordo", reclamou.
O encontro entre o comandante da PM e os líderes do MST, no acampamento montado na fazenda, não foi aberto à imprensa. De acordo com o líder Gilmar Mauro, que participou da negociação, a PM vai esperar o resultado de um recurso que os advogados dos sem-terra dariam entrada hoje contra a decisão da juíza. O julgamento deve ocorrer até o dia 23. O comandante Romano justificou o prazo alegando a possibilidade de um conflito durante o despejo. No acampamento, estão mais de 300 crianças. Segundo ele, os sem-terra comprometeram-se a acatar a decisão do recurso.
Hoje, um novo grupo de 300 famílias chegou na área invadida e começou a montar os barracos, juntando-se às 2 mil famílias acampadas, de acordo com o MST. Segundo Mauro, trata-se de parentes dos sem-terra que já estavam no acampamento.

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