Curitiba - A Polícia Militar (PM) cercou ontem o prédio no centro de Curitiba ocupado por famílias do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) para impedir a entrada de pessoas no local. Os líderes do movimento ameaçaram convocar novas famílias para se juntarem às 40 que estão no local desde o dia 7 de junho. O cerco policial, que começou ontem às 13 horas, deve continuar até a desocupação do prédio, programada para hoje.
No início da tarde, o clima era bastante tenso em frente ao prédio, antiga sede do setor de Crédito Imobiliário do Banestado. Além dos cerca de 40 policiais ao redor da entrada do edifício, viaturas da Rondas Ostensivas de Natureza Especiais (Rone) circulavam constantemente na rua em frente. O isolamento policial atrapalhou o trânsito na avenida Marechal Deodoro, uma das principais de Curitiba.
O negociador do governo com o MNLM, Marcelo Jugend, chefe de gabinete da Secretaria de Segurança, disse que a operação policial foi necessária para evitar a entrada de novas pessoas no edifício. Ontem de manhã, o líder do movimento, Anselmo Schwertner esteve na Secretaria de Segurança para pedir novo prazo para a transferência das famílias, que vence hoje, às 18 horas. Ele alegou que o grupo não tinha para onde ir.
A secretaria não aceitou prorrogar o prazo e Schwertner teria dito que a solução era chamar mais pessoas para ocupar o prédio. ''Entendemos que era, no mínimo, um desafio e que se isso acontecesse aumentaria a possibilidade de acontecer alguma coisa ruim durante a desocupação'', relatou Jugend. Ele disse que a secretaria precisa cumprir o mandado de reintegração de posse expedido no início do mês para o Banco Itaú, proprietário do prédio.
No meio da tarde de ontem, um grupo de vereadores e deputados estaduais entrou no prédio para negociar com o MNLM. Mais tarde, acompanhados de represententantes dos sem-teto, eles foram vistoriar áreas para onde as famílias pudessem ser transferidas. O local ainda não foi divulgado. O advogado do Itaú, Antônio Celestino Toneloto, disse que o banco poderia disponibilizar caminhões e ônibus para a mudança das famílias.
De acordo com o advogado do movimento, Carlos Bernardo Carvalho de Albuquerque, o Estado possui alguns locais que podem receber as famílias sem-teto. Ontem à noite, o MNLM e os parlamentares iniciaram uma negociação com o secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, responsável pelas áreas escolhidas para a mudança. Mesmo com o possível acordo, Albuquerque disse que a transferência não deve ocorrer hoje. ''Os elevadores estão estragados. Não há como descer com a mudança'', relatou.

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