PM assume morte de três jovens na Baixada Santista mas MP vê contradições nos depoimentos
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domingo, 02 de maio de 1999
Por Zuleide de Barros, especial para a AE 
Praia Grande, SP, 03 (AE) - O soldado Edivaldo Rubens de Assis assumiu, hoje, a autoria dos assassinatos de três jovens mortos no litoral paulista durante o carnaval. Durante toda a tarde, os quatro policiais denúnciados pelos crimes, os soldados Marcelo de Oliveira Cristov, Humberto da Conceição e o tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira, além de Assis, prestaram depoimento no Fórum de Praia Grande no processo sobre as três mortes ocorridas na Quarta-Feira de Cinzas, na Praia do Itararé, em São Vicente.
á noite, após ouvir por quase oito horas os quatro policiais militares, o promotor Walfredo Cunha Campos afirmou que os depoimentos em nada mudaram a denúncia oferecida pelo Ministério Público. "Mantenho a minha posição de que os PMs foram os responsáveis pelo triplo homicídio e pela ocultação dos corpos", disse. Para o promotor, os policiais não souberam explicar a alegada legítima defesa apresentada pelo soldado Humberto da Conceição de que Thiago e Anderson foram mortos porque tentaram fugir e ainda reagiram contra os policiais. "Como explicar que dois adolescentes, de 17 e 14 anos, reagissem a um arsenal de armas composto por oito revólveres calibre 38, uma metralhadora e duas carabinas?", indagou o promotor. Depoimentos - De acordo com o soldado Marcelo Cristov, que dirigia a Blazer durante o patrulhamento de carnaval nas praias da Baixada Santista, os policiais encontravam-se em Praia Grande quando foram acionados para atender uma ocorrência em São Vicente, a pedido de um rapaz identificado apenas como Daniel, que teria denunciado o roubo de um relógio por três jovens. Paulo Roberto, Thiago e Anderson, os três rapazes mortos, teriam sido identificados por Daniel como os autores do roubo.
Ainda segundo os acusados, ao abordar os rapazes, a polícia encontrou uma porção de maconha com os três jovens. Como Daniel achou por bem recuperar o relógio e não prestar queixa, os três ficaram de mostrar o local onde adquiriram a droga. Quando se dirigiam à Favela México 70, apontada como ponto de tráfico, os policiais teriam sido aconselhados pelos próprios rapazes que evitassem entrar com a viatura policial no local. Por isso, resolveram trocar de veículo. Passaram na sede do 6º Batalhão da PM, na Ponta da Praia, em Santos, onde trocaram de veículo particular de propriedade do tenente, levando também uma motocicleta de um dos soldados.
Em seu depoimento, de mais de três horas, o soldado Humberto da Conceição afirmou que o primeiro disparo feito contra Paulo Roberto teria sido acidental e, em função da agitação dos outros dois jovens, que tentaram fugir, é que foram feitos os outros disparos. Uma contradição foi observada neste momento do depoimento, uma vez que se os rapazes tivessem enfrentado os policiais, os tiros teriam sido disparados na testa dos jovens, e não na nuca, como foi declarado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Santos, que fez as autópsias.
Segundo o juiz Rubens Hideo Arai, dia 13 começam a ser colhidos os depoimentos das 34 testemunhas de acusação. "Houve pequenas divergências nos depoimentos prestados até agora e, pela complexidade do processo, teremos muitas dificuldades pela frente ao analisar todos os depoimentos, as provas de instrução e as contidas nos autos", revelou.


