São Paulo, 27 (AE) - O tenente da Polícia Militar Roberto Mizokami Dias foi assassinado ao tentar prender um ladrão que fugia pela Avenida Paulista, em São Paulo. Os criminosos, que pareciam ser adolescentes, haviam roubado uma pessoa e corriam em direção à Estação Trianon-Masp do metrô. Mesmo aposentado, Dias, de 54 anos, tentou deter um deles, mas não viu o outro ladrão, que vinha atrás. Foi morto com três tiros à queima-roupa.
"Meu pai morreu fazendo aquilo que sempre fez: ajudando uma pessoa", disse Alexandre Bianchi, de 31 anos. O crime ocorreu hoje, por volta das 11 horas, perto da Rua Pamplona. Os criminosos abordaram uma pessoa - a polícia não tinha identificado a vítima até a noite - com um revólver e a obrigaram a entregar a carteira. Quando os assaltantes correram, a vítima os seguiu gritando por socorro. No momento em que se aproximavam de uma das entradas da estação de metrô, o tenente interveio. Ele agarrou um dos ladrões, mas o outro, logo atrás, disparou.
O primeiro tiro atingiu-lhe o tórax e os demais, o abdome. O tenente caiu; os adolescentes fugiram, entrando na estação. Estavam descendo a escada rolante programada para subir quando foram surpreendidos por uma funcionária do metrô. "Minha colega pensou que eles estivessem fazendo bagunça e os mandou sair da estação", afirmou a agente de operações Regiane Nilce dos Santos Zapater, de 34 anos. Os bandidos obedeceram à ordem e saíram da estação. Teriam, então, apanhado um ônibus que seguia em direção à Rua da Consolação.
Perto dali, na Alameda Casa Branca, estavam dois policiais militares que faziam o patrulhamento da região a pé. Avisados por motoristas que buzinaram, os policiais correram ao local do crime, mas era tarde. Nenhum sinal dos criminosos. Ao mesmo tempo, apareceu um carro do Comando de Policiamento de Choque, que levou o tenente para o Pronto-Socorro da Santa Casa, onde foi constatada a morte do oficial aposentado. Os policiais militares ainda fizeram buscas na região, mas não acharam os dois adolescentes. Apelo - "Faço um apelo para que a vítima do roubo e outras testemunhas apareçam na delegacia e ajudem a polícia a identificar os assassinos do meu pai", disse o filho. O tenente era casado e tinha quatro filhos. Estava aposentado havia cinco anos e trabalhara no Hospital da Polícia Militar. Atualmente, estava trabalhando em uma empresa particular.
A delegada Nair Silva de Castro Andrade, titular do 78.º Distrito Policial, nos Jardins, disse que vai tentar obter o retrato falado dos dois bandidos por meio da descrição que será feita pela funcionária do metrô. "Há também um senhor que ajudou o tenente pouco depois de ele ser baleado que precisa vir à delegacia para nos ajudar".
Em frente do local do crime, fica o Banco Mitsubishi, que tem 13 câmeras de vídeo controlando o movimento da calçada. Mas o equipamento só grava a imagem de uma câmera por vez e, quando chegou a vez daquela que focalizava o local do crime, os ladrões já haviam fugido. Os criminosos também não foram filmados pela câmera da Estação Trianon-Masp. A única câmera de vídeo do local está com defeito e foi desligada para manutenção.
O inquérito do caso, registrado como roubo seguido de morte, ficará com o 78.º DP. "Nossos principais problemas na região são os roubos e furtos a pessoas que caminham pela Avenida Paulista e os roubos nos cruzamentos", disse a delegada. De acordo com ela, o trânsito congestionado e o grande fluxo de pessoas nos Jardins prejudicam o policiamento. "Os bandidos vêm para cá atraídos pelo dinheiro que circula na região", disse. Mortos - O tenente Dias foi o sétimo policial militar assassinado desde sexta-feita da semana passada. Com ele, já são 20 os policiais militares assassinados durante a folga e 2 no trabalho neste mês. Ao todo, já foram mortos 173 policiais de folga de 1.º de janeiro até hoje. Durante a folga, foram 29 casos no mesmo período. No ano passado, foram registrados 218 casos de PMs assassinados de folga e 31 durante o serviço.
Caso continue nesse ritmo, o número de policiais mortos no Estado de São Paulo deverá bater o recorde de 1998. No começo da década, em 1991, haviam sido mortos 73 policiais de folga e 25 de serviço. Segundo a Coordenadoria de Comunicação Social da PM, o comando da corporação está recomendando aos seus homens que, quando inferiorizados, busquem reforço para, em maior número, inibir a reação do bandido, facilitando a detenção.

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