Cabos e soldados da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul preparam uma grande manifestação em Campo Grande (MS) no próximo dia 18, dando início à greve por tempo indeterminado.
Às 18 horas do dia 17 acaba o prazo de 15 dias dado pelos praças para que sejam esgotadas as negociações com o governo do Estado por melhores salários. Segundo o programado pela Associação dos Cabos e Soldados, após uma passeata que percorrerá as ruas centrais da capital, os praças vão colocar as armas da corporação em frente à Governadoria, sede do governo.
O assessor de comunicação social da entidade, Cláudio de Souza, 29, disse que cerca de mil policiais, fardados, deverão participar da manifestação, e ‘‘a absoluta maioria’’ dos praças deverá aderir à greve. A comissão especial formada pelo governo ainda não apresentou contraproposta à reivindicação apresentada pelos praças na semana passada. Eles pedem equiparação do soldo, que hoje é de R$ 29,80, ao salário mínimo. Com o cálculo das gratificações incidindo sobre esse novo valor, o vencimento dos soldados sairia dos atuais R$ 270 para R$ 750 e o dos cabos chegaria a R$ 937,9.
Os servidores estaduais estão com dois meses de salário atrasado. Os policiais civis também deverão participar da paralisação. Ontem, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Maurício Godoy, 47, disse que o Estado sofre ‘‘uma intervenção branca’’ do governo federal, o que impediria um reajuste salarial.
‘‘O governador tem que cumprir as diretrizes de Fernando Henrique, que é não dar aumento ao funcionalismo’’, disse Godoy, que move uma ação contra o governador Wilson Barbosa Martins (PMDB), tentando anular a 13ª cláusula do contrato de empréstimo firmado entre governo e Caixa Econômica Federal (CEF) em janeiro de 96.
O governo recebeu R$ 52 milhões, comprometendo-se, em troca, a não aumentar gastos com funcionalismo, fazer contratações e contrair empréstimos bancários.
Em sua defesa na ação, o governador argumenta que as medidas foram necessárias para sanear as finanças do Estado.
STJ - A Associação de Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Rio Grande do Norte analisou ontem as opções para obrigar o governo do Estado a cumprir decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que determinou o pagamento de um salário mínimo de soldo ao aluno-soldado (pessoa que estuda para ser policial militar). Pedidos de bloqueio da conta do Estado no valor a ser pago aos militares, de intervenção federal e a deflagração de greve geral são as três principais opções que as entidades da PM podem levar para suas assembléias, marcadas para sábado.
O presidente da associação, Edson Siqueira de Lima, disse que o prazo para o governo dar uma resposta se faz ou não o soldo acaba amanhã. Depois, as entidades vão mobilizar seus quadros para as assembléia. O governo do Estado, por sua vez, continua fazendo cálculos para ver se pode pagar o que a Justiça determinou. Com o cumprimento da decisão judicial, a folha de pagamento da PM aumenta de R$ 1,5 milhão para cerca de R$ 4,2 milhões. O salário de um soldado passaria de R$ 257,89 para R$ 636,00.
O subtenente da reserva Júlio da Rocha, 57, ex-presidente da associação, autor do mandado de segurança coletivo contra o governo para o pagamento de um salário mínimo de soldo, disse que, apesar de a greve não ser a melhor opção, ele entende que a ‘‘inquietação das tropas’’ pode levar à uma paralisação geral da PM.

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