PM ameaça aquartelamento contra suspensão de pagamento de salário
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quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 22 (AE) - Os oficiais da Polícia Militar de Alagoas ameaçam se aquartelar a partir de segunda-feira, caso seus soldos não sejam pagos integralmente, sem cortes. O alerta foi dado hoje pelo deputado estadual Paulo Nunes (PT), que é major da PM e comandou a revolta dos policiais na luta pela derrubada do ex-governador Divaldo Suruagy, há dois anos. Segundo ele, o clima no quartel é de frustração com o governo Ronaldo Lessa (PSB), por causa da suspensão do pagamento dos salários de junho. "O governador suspendeu os salários dos oficiais da PM porque conseguimos uma liminar na Justiça, obrigando que ele pagasse nossos vencimentos sem cortes. Isto cheira a retaliação", afirmou Nunes, que faz parte da bancada de Lessa na Assembléia.
Preocupado com a reação das entidades dos servidores públicos, que já preparam para a próxima semana uma série de atos contra o governo, Lessa reuniu-se hoje com seu conselho político. O governador chegou do Rio de Janeiro, onde participou de uma reunião com a executiva nacional do PSB e foi direto para o Hotel Pratagy, no litoral norte de Maceió. Lá ele se reuniu com os presidentes de 10 partidos que ajudaram a elegê-lo e alguns secretários estaduais. A pauta não foi divulgada.
O comandante da PM, coronel Ronaldo Santos, também esteve reunido com o governador. Ele foi chamado às pressas porque Lessa ficou preocupado com as ameaças de aquartelamento e insubordinação da PM. O presidente da Caixa Beneficente da PM, coronel Adroaldo Goulart, chegou a propor insubordinação durante a assembléia dos oficiais, na última quarta-feira. "Se for descumprida a decisão judicial, eu não me sinto na obrigação de trabalhar para o Estado e muito menos obedecer ao governador", disse Goulart, referindo-se a uma liminar concedida pela Justiça
obrigando o governador a pagar salários integrais aos militares. O pagamento dos servidores estaduais foi suspenso na quinta-feira porque outras categorias também conseguiram liminares contra os cortes.


