Campinas, SP, 10 (AE) - O comando da Polícia Militar em Campinas abriu hoje uma sindicância interna para apurar denúncia contra duas integrantes da 1ª Companhia de Policiamento Feminino
acusadas de submeter a constrangimento ilegal 18 estudantes de 15 a 16 anos. O suposto constrangimento teria acontecido no dia 1º de junho, durante uma revista em procura de drogas, na EEPSG Professor Adalberto Prado e Silva, na Vila Costa e Silva. Quinze alunas foram levadas para o banheiro da escola e obrigadas a ficar nuas. Em outro ambiente, três meninos ficaram apenas de cuecas.
Depois de se despirem na presença das policiais, as meninas ainda tiveram de fazer flexões para provar que não escondiam entorpecentes na vagina. Nada foi encontrado com os alunos. A revista foi feita com base em denúncias anônimas. Constrangidas, algumas alunas não querem mais frequentar a escola, com medo da zombaria dos outros estudantes. Os pais dos adolescentes revistados ameaçam processar o Estado.
O comando da PM não afastou as duas policiais, mas decidiu transferí-las para o policiamento escolar em outros bairros. De acordo com o comandante do 35º Batalhão da PM, tenente coronel Lúcio Ricardo de Oliveira, a medida visa "preservar" as profissionais e evitar "animosidades" com os moradores do bairro. "Vamos ouvir todas as pessoas envolvidas para não tomarmos nenhuma medida precipitada", disse o comandante.
Além das duas policiais, cujos nomes não foram revelados
a sindicância pretende ouvir os estudantes, seus pais, e a diretora da escola, Cássia Regina dos Reis. Em seu primeiro depoimento, as acusadas disseram que o procedimento adotado para a revista foi necessário para apurar a denúncia de que havia drogas entre os estudantes. O caso também será apurado pelo Ministério Público, que pediu abertura de inquérito policial.
"Aquela escola tem antecedentes graves com o tráfico de drogas", disse o comandante da PM. Segundo ele, o colégio está entre as prioridades da PM no combate aos entorpecentes. Ele informou, porém, que o procedimento adotado pelas duas policiais é usado apenas quando as suspeitas estão muito bem fundamentadas. "Talvez fosse mais prudente chamar os pais para acompanhar a revista", disse.
O juiz da Vara da Infância e Juventude de Campinas, Erson Theodoro de Oliveira, disse que as policiais estão sujeitas a responder por crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo o artigo 232, é crime "submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou constrangimento".
O delegado da Infância e Juventude de Campinas, Umeo Nakashima, disse que as revistas nas escolas vão continuar sempre que houver suspeita de tráfico de drogas ou porte ilegal de armas entre os alunos. O policial desenvolve um trabalho antiviolência, do qual participam a Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. "Constrangimento maior é permitir o tráfico de entorpecentes sem tomar providências", disse.

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