PM acusado na chacina da Candelária volta a júri
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Agência Estado Rio 
Uma nova versão para a chacina da Candelária, em que oito meninos de rua foram assassinados, pode surgir hoje durante o julgamento do ex-soldado da PM Nelson Oliveira dos Santos Cunha. No 2º Tribunal do Júri, local do julgamento, há rumores de que o ex-PM, primeiro a confessar o crime, pretende voltar atrás e alegar inocência, apontando novos nomes de envolvidos no episódio.
O advogado de Cunha, Maurício Neville, garante que não há provas contra seu cliente. Ele vai basear sua defesa no fato de que o ex-PM não foi reconhecido por Wágner dos Santos, sobrevivente e principal testemunha da chacina. No entanto, Cunha já se sentará hoje no banco dos réus condenado a 18 anos de prisão justamente pela tentativa de homicídio contra Wágner, decisão do primeiro júri a que ele foi submetido, em novembro do ano passado.
Naquela ocasião, como ele foi condenado a 30 anos por cada um dos homicídios consumados - no total, a pena chegou a 261 anos de prisão. Depois da condenação, Cunha contratou Neville. O advogado pretende repetir agora o feito obtido no caso de outro ex-PM envolvido na chacina, Marcus Vinícius Borges Emmanuel, que foi condenado a 309 anos de prisão em seu primeiro júri e teve a pena reduzida para 89 anos no segundo.
A confissão de Nelson Cunha foi o ponto de partida para que a chacina, ocorrida na madrugada de 23 de julho de 1993, fosse esclarecida. Ele se apresentou à Justiça em abril do ano passado e disse que havia participado do crime juntamente com os ex-PMs Marcus Vinícius Emmanuel, Marco Aurélio Alcântara e Maurício da Conceição Filho, o Sexta-Feira 13 (já falecido). A versão de Cunha foi confirmada por Emmanuel e Alcântara e serviu para inocentar três réus que ficaram mais de três anos presos, o tenente Marcelo Ferreira Cortes, o PM Cláudio Luiz Andrade e o serralheiro Jurandir França.
O julgamento de Nelson Cunha está previsto para começar às 13 horas e deve terminar amanhã pela manhã. Entre as 20 testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, uma já confirmou que não comparecerá - justamente Wagner dos Santos, que hoje mora na Suíça, sob a proteção da Anistia Internacional, e comunicou ao juiz José Geraldo Antônio que não poderá vir ao Brasil.


