Agência Folha
De São Paulo
O dramaturgo Plínio Marcos, 64, morreu às 16 horas de ontem de falência múltipla de órgãos. Ele estava internado na UTI do Instituto do Coração (Incor), no complexo do Hospital das Clínicas, desde 27 de outubro. Vítima de dois derrames cerebrais que comprometeram permanentemente o lado esquerdo do corpo, Marcos respirava por aparelhos desde o início do mês. Segundo sua mulher, a jornalista Vera Artaxo, o autor de ‘‘Navalha na Carne’’ deixa três obras inéditas.
Ontem, ela declarou que a obra e a vida de Marcos foram caracterizadas pelo exagero. Ela disse ainda que Plínio Marcos seria velado e cremado com a roupa que comprou para ir a Paris, no ano passado. O velório começou às 20 horas, no Teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista (região central).
O corpo do dramaturgo deve ser levado às 11 horas de hoje ao Crematório da Vila Alpina, onde acontece uma cerimônia de despedida. A cremação propriamente dita deve acontecer no domingo. Segundo o médico cardiologista Carlos Vicente Serrano, Plínio Marcos chegou a reagir na última semana. ‘‘Ele estava evoluindo em alguns aspectos, como uma melhora no nível de consciência. No início do mês, ele não respondia a ordens verbais simples, como fechar ou apertar a mão. Depois, passou a responder’’, afirmou.
Apesar disso, estava sempre em estado muito crítico. O diabetes foi difícil de controlar e ele vinha com infecções pulmonares frequentes. As infecções acontecem porque pessoas que sofrem derrame aspiram para o pulmão saliva e restos alimentares.
Foi uma infecção pulmonar, aliada à piora do nível de consciência que levou Plínio Marcos à UTI. Antes disso, ele havia passado quatro dias internado em um quarto no instituto, após ter sofrido seu segundo derrame. O primeiro aconteceu em agosto.
Entre os três projetos pendentes deixados por Plínio Marcos, o mais adiantado era o roteiro para o filme ‘Vida de Artista’, que escrevia, desde o final do ano passado, com o cineasta Carlos Cortez. O roteiro é baseado em cinco contos do autor que nunca foram publicados. Além desse, ele pretendia escrever textos para crianças. Segundo sua mulher, quando internado no Incor em outubro, ele chegou a lhe pedir papel e caneta para escrevê-los.

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