Plaza Foz quer expandir clientela
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de abril de 1998
Flávio Moura Especial para a Folha 
A Revista
Musical
Folclórica,
idealizada
por um
grego, é
encenada há
dez anos
em Foz
do Iguaçu;
são 34
artistas
e 1.200
figurinos;
o espetáculo
dura uma
hora e
50 minutosCasa cheia. O Teatro Plaza Foz viveu dias agitados durante a Semana Santa. O período é um dos mais movimentados do ano para o turismo nas Três Fronteiras. O público que lotou a casa de 600 lugares de terça a domingo, assistiu um espetáculo que, na sua essência, se repete há uma década. Mas ninguém reclamou de pagar US$ 25, enfrentar filas e muito barro (as vias de acesso, em péssimas condições, são de responsabilidade da prefeitura). Os argentinos, uruguaios e chilenos, boa parte da clientela, aplaudiram calorosamente todos os números do espetáculo de uma hora e 50 minutos de duração.
A Revista Musical Folclórica, o espetáculo de 34 artistas - músicos, dançarinos e cantores - e 1.200 figurinos, quintuplica sua frequencia normal nas datas em que o turismo de Foz volta a respirar. A atração idealizada e concebida pelo grego John Sampracos depende em grande parte da divulgação que é feita junto a agências de viagens por todo mundo, principalmente do Mercosul.
Para os europeus e americanos a negociação é mais complicada pois o tempo de permanência deles é muito pequeno. O passeio nas Cataratas e no Parque Nacional é exaustivo. A noite eles querem descansar, explica o gerente Juan Franklin Gonzales, o uruguaio Johnny, que em 1988 aceitou a proposta de Sampraco para dirigir a casa recém-construída por US$ 1,5 milhão.
Johnny trabalha na noite há 25 anos, passou por várias casas de espetáculos de Buenos Aires até topar o desafio de usar o mote das Três Fronteiras para apresentar um show com artistas dos três países, num formato de teatro de revista. Na época trouxemos todo o pessoal de São Paulo e nos entusiasmamos com a idéia do empreendimento, lembra o coreógrafo Jean Milan, que além de dirigir o show, aplica estágios de 30 dias com artistas que se interessam em trabalhar no Plaza Foz.
Casa de 600 lugares lota nos feriados prolongados; argentinos, uruguaios e chilenos aplaudem com entusiasmo cada parte do show
Em breve, Milan, um ex-bailarino do Teatro Guaíra, deve comandar um curso completo de artes cênicas, ministrado pelo próprio elenco e reforçado com alguns outros professores vindos de São Paulo e Curitiba. Com o curso buscamos a auto-suficiência artística e um maior entendimento do espetáculo e de teatro de um modo geral afirma o coreógrafo.
Além de um aprimoramento artístico, o Plaza Foz busca no turismo de eventos a regularidade necessária de público para manter um espetáculo diário. É onde se concentram nossas maiores chances para trazer brasileiros para a casa, diz Sampracos, que estima que os brasileiros representam apenas 10% de sua clientela.


