Paris, 18 (AE) - Michel Platini, que foi o melhor jogador francês de todos os tempos e que, além disso, tem cabeça, juntou-se à Federação Internacional de Futebol (Fifa), onde é assessor do presidente. Deu uma entrevista marcante para o Le Monde. Nela, defende um futebol que não fique nas mãos "apenas de especuladores", um "sistema em que não é o dinheiro que permita ganhar". Ele especifica: "Não quero esse capitalismo rígido".
Essa entrevista foi publicada pouco tempo depois de um acontecimento surpreendente na França: um clube amador (4ª divisão), o de Calais, chega ao final da Copa da França, depois de ter vencido um dos maiores e mais ricos clubes profissionais, o Bordeaux, por 3 a 1.
Platini não se surpreendeu muito com essa vitória dos "pequenos" sobre os "gigantes". Ele a explica especialmente pelo fato de que a "primeira divisão é menos capaz de altas performances do que há alguns anos, pois todos os melhores jogadores foram para o exterior".
Ele continua, criticando o regulamento Bosman e propondo uma nova regra, a dos "6+5". O objetivo: obrigar os clubes a colocar permanentemente seis jogadores selecionáveis na equipe nacional do país em que se dá o campeonato. Em outras palavras, como para as cadeias de rádio ou de TV, obrigação de uma certa porcentagem de produção francesa.
O exemplo que Platini recusa: Chelsea ou o F.C.Barcelona, que evoluem com mais estrangeiros do que nacionais. Por que o Chelsea continua a se chamar Chelsea e a jogar em Chelsea? Ele poderia perfeitamente se instalar no Mônaco!".
Ele critica o mundo dos negócios internacionais. "Aqueles que se beneficiam com o regulamento Bosman são os países em que os direitos da TV são os mais importantes. A Noruega ou a Dinamarca jamais poderão ganhar".
E é, então, que ele expressa sua filosofia: "É preciso encontrar um sistema em que não é o dinheiro que permite ganhar. Senão, todos os pobres vão se arrebentar e os ricos vão disputar entre si".
Quanto à Fifa, cabe a ela dizer que o futebol não é isso! Os políticos entenderam. Eles reconhecem que as federações internacionais têm legitimidade para organizar grandes eventos esportivos... Atualmente, existe osmose entre o meio esportivo e o meio político. O que não acontecia no momento do regulamento Bosman".
Outra questão espinhosa: ele quer conciliar todos os campeonatos nacionais com um período comum de férias e de preparação em dezembro e janeiro e um período para os grandes eventos como a Copa do Mundo ou as competições do gênero Eurocopa, a cada dois anos, em junho e julho alternadamente.
Sobre esse projeto, Platini encontrou oposições, entre a quais a de Pelé, que considera impossível realizar o campeonato brasileiro em fevereiro por causa do carnaval no Rio.
Platini responde bem secamente: "Pelé está sempre contra mim. Se levarmos em conta o carnaval do Rio, o carnaval de Nice, o carnaval de Frankfurt, as férias escolares, não chegaremos a nada. É preciso que todo o mundo faça concessões".
Em seguida, ele evoca alguns problemas técnicos direitos televisivos, rendas realizadas pela Copa do Mundo que deveriam ir, em parte, para os clubes amadores etc. E sempre com essa vontade obstinada: "Não fazer o dinheiro ir para o dinheiro".
Por que ele se juntou ao presidente da Fifa depois da Copa do Mundo?
Justamente porque gostaria muito de mudar as coisas. E, no momento, não sonha, um dia, encabeçar um clube. Se, todavia, um dia ele tivesse de se tornar presidente de um clube, o Juventus de Turin? "Quem te disse que eu não recebi propostas de outros clubes? Voltar para Turin? Não".
Não se vive duas vezes a mesma história de amor. Então, o Paris Saint Germain? "Por que não? Mas isso não é para agora".

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