Londrina - O balé sincronizado do sobe e desce dos arcos de violinos e violoncelos, acompanhado pelo timbre suave das flautas doces, encantou o público no Cine Com-Tour/UEL, na manhã de ontem em Londrina. Cerca de 100 alunos do Projeto Musicando na Escola apresentaram repertório de músicas clássicas que incluía Bach, Paganini e Handel. As composições eruditas, distantes da realidade de boa parte da plateia formada por pais de alunos, foram o meio escolhido pelos coordenadores do projeto para elevar a qualidade de vida das famílias dos alunos na periferia da cidade.
A secretária Alikele Almeida de Oliveira Ferraz se surpreendeu com a habilidade do filho, Guilherme Oliveira Ferraz, de 8 anos, que começou a tocar violino a menos de um ano. Acostumada com os ensaios do menino em casa, no bairro Alto Cafezal (zona sul), ela achou interessante o resultado dos ensaios da orquestra. "Ver ele tocando sozinho já era prazeroso, junto com os colegas ficou ainda melhor", elogia.
Regina Maria Grossi Campos, coordenadora geral do projeto que há 12 anos vai muito além do ensino da música, destaca a importância social do projeto. "É uma oportunidade rara de levar cultura erudita para a periferia. Por meio dos filhos, toda a família é envolvida e muitos aprendem que há um universo a ser explorado, longe do que é empurrado pela mídia", frisa.
Além do cunho musical, as aulas também colaboram para a concentração, disciplina e, principalmente, melhoria da autoestima. "Alguns alunos chegam tímidos e, com o instrumento, percebem que podem se expressar, ter voz. Depois, isso é aplicado no dia a dia", apontou Regina. As aulas são ministradas em escolas públicas descentralizadas e abrangem o estudo do violino, violoncelo, flauta doce, estruturação musical, música de câmara e canto coral.
A dona de casa Berenice Ribeiro da Silva, moradora do Conjunto Sebastião de Melo (zona norte) tem duas filhas no projeto: Heloísa, de 8, e Caroline, de 10. Enquanto a caçula aprende as primeiras melodias na flauta doce, a irmã mais velha vai para o quarto ano de estudos no violino. "É recompensador ver a alegria dessas meninas. Dificilmente teria condições de pagar pelas aulas ou mesmo pelos instrumentos", reconhece Berenice.
As irmãs se espelham no primo, Lucas Gabriel Tolomeotti, de 16, que faz parte da Orquestra Prelúdio da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Tolomeotti almeja uma vaga na orquestra principal da universidade, o que pretende conquistar com mais alguns anos de violino. "Além de me tornar uma pessoa melhor, as aulas me abriram portas. Agora pretendo chegar cada vez mais longe", planeja.
Regina alerta que o incentivo dos pais é fundamental para o desenvolvimento do aluno. "Foi muito bom ver os pais aqui hoje. Com o apoio familiar, estas crianças vão chegar longe". O projeto Musicando na Escola já ganhou importantes prêmios nacionais e continua os trabalhos com cerca de 900 alunos da rede municipal de ensino de Londrina. "Todo nosso esforço é voltado para formar, se não músicos, melhores cidadãos", pontuou a coordenadora.

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